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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pé ante pé...

Começou de um modo muito triste o ano que agora se vai embora.
A minha priminha já não corre, por entre os canteiros de couves e de alfaces que havia no quintal da minha avó, aquele que eu sempre julguei ser o Éden, com o rabo-de-cavalo a acompanhar a corrida, balançando para a direita, para a esquerda, para cima e para baixo. E eu, ondulando timidamente no baloiço que o meu avô tinha conseguido construir, com uma tábua e duas cordas, sem coragem para grande balanço, contemplava e seguia encantada o caminho das correrias das mais novas...
Eram bem mais felizes do que eu as minhas priminhas! Podiam ter rabo-de-cavalo, bibes coloridos, podiam correr, sabiam correr, sabiam cantar, sabiam dançar.
Nos primeiros dias do ano, recebi a notícia: a minha priminha já não correria mais por entre as couves e as alfaces do jardim da casa dos nossos avós.
Depois os meses correram, voaram e a crise colou-se às nossas conversas, aos nossos pensamentos, de modo tal que parece tudo ter já ruído no futuro que nos espera.
Mas o dois mil e onze trouxe-me também a promessa de uma nova vida. Ninguém substitui ninguem. São paragens da linha da Vida que embarcam uns e desembarcam outros.
E há que saber viver os momentos todos, com a nossa alma vestida a rigor.
Feliz dois mil e doze!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ainda a sair o ano

Efeito B.B.
Baptista Bastos. Não confundir com Brigitte Bardot!
Porém, ninguém sai inteiro de cada ano que fecha.
Pena eu já ter escrito sobre o "assunto". Subscrevo os sonhos do B.B.
O homem antigo e rodado que vos fala aprendeu que não existe limite de idade para o sonho, e que a volúpia de se estar preso a este mundo corresponde à nossa sede de eternidade. Se há lugar para a tristeza humana, também o há para a aspiração de felicidade que nos acalenta. Em qualquer idade procuramos um qualquer absoluto, uma ilusão fixada no eixo da nossa própria natureza, que tanto suporta a juventude como a velhice.
Se eu tivesse poder para inventar um ritual, arranjava maneira de atirar ao mar o ano velho e ir buscar ao mar as boas energias para o ano novo.
Nem sempre o corpo me pede mar, mas os olhos sim! Sempre!

Sair do ano

O calendário condiciona incontornavelmente as nossas emoções.
Não consigo abstrair-me da data carregada de simbolismo, pela possibilidade meramente teórica e virtual de uma mudança.
Para melhor, só admito!
De uma mudança para o desconhecido que vai ser suportado por um outro calendário, com os mesmos meses, com os mesmos dias, com as mesmas datas festivas. No meio de tantos "mesmos", apenas nós, cada um de nós, não seremos os mesmos.
Inventaram-se rituais, uns mais exequíveis do que outros, para recomeçar a contagem do novo ano com o tal espírito positivo a que até os homens da ciência já recorrem.
Há o pé direito e o esquerdo. Rapidamente estes dois pés começaram a ser conotados com opções ideológicas e essa sugestão foi abandonada, pois o planeta corria o risco de entrar sempre coxo num ano novo. Há sempre a hipótese dos dois pés que se consegue com um salto.
Cá por mim, não vou nisso; prefiro entrar "no" ano novo, com os dois pés no chão.
Com os dois pés sãos, sem calos, nem artroses, nem joanetes, nem apertos de sapatos de festa. Dois pés livres para percorrer a caminhada dos dias de 2009.