Uma das mais pequenas era a romãzeira. Ficava ao fundo, junto aos tanques (onde as mulheres da casa lavavam toda a roupa da casa!) e vigiava os lençóis que ficavam a corar nas imensas redes, ali postas para o efeito. Era das mais franzinas, a romãzeira. Talvez alguma maleita tivesse impedido esta mãe de uma fruta tão sugestivamente real de crescer, crescer, crescer, robustamente, rumo às alturas dos telhados dos vizinhos. Ficava-se, humildemente, pela altura dos muros.
À medida que fomos crescendo, fomos chegando com mais facilidade às romãs. Não tínhamos de esperar que caíssem. E depois, bago a bago, lá íamos saboreando o delicioso fruto, que parecia não ter fim.
Hoje, tenho também uma romãzeira nos meus caminhos. O afecto que sinto por ela vai aumentando à medida que me afasto da outra da minha infância. A vida é assim!(Já não sei se foi a romãzeira que me sussurrou esta verdade?!)Talvez a romãzeira do quintal da minha avó tenha voltado e se tenha plantado ali, quase à minha porta. Sem esta, bem mais definhada mas mesmo assim romãzeira, eu já teria esquecido a outra, penso eu, cheia de culpa. Ninguém deve ser esquecido. Nem uma árvore. Nem uma flor. Nem o doce de um bago de romã!