terça-feira, 13 de junho de 2006

Eugénio de Andrade

O Lugar da Casa

"Uma casa que nem fosse um areal

deserto; que nem casa fosse;

só um lugar

onde o lume foi acesso, e à sua roda

se sentou a alegria; e aqueceu

as mãos; e partiu porque tinha

um destino; coisa simples

e pouca, mas destino:

crescer como árvore, resistir

ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos

de abril

ou, quem sabe?, a floração

dos ramos, que pareciam

secos, e de novo estremecem

com o repentino canto da cotovia."

Fundão,19 de Janeiro de 1923- Porto, 13 de Junho de 2005

4 comentários:

ana disse...

os jornais só falm do Cunhal. Obrigada pelo poema

dakidali disse...

É bom recordar quem espalhou a nossa Língua e deu a conhecer o nosso País através dos seus escritos.
Beijinhos

IO disse...

Acabo de ouvir a gente do Porto a queixar-se que a Câmara se esqueceu da data e deste tripeiro ilustre - à direita, os incultos...

Beijo para ti, Mad'.

Laura Lara disse...

É urgente recordar quem assim escreveu:

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.

Eugénio de Andrade

Obrigada, Madalena e muitos beijinhos