domingo, 13 de julho de 2014

Those were the days .....

Claro que isto é saudade!
Ao longo da vida tenho balançado sempre entre este psicologicamente correcto de ter ou não ter saudade, ou melhor, dizer que se tem ou não tem saudade. Às vezes, até parece que "parece mal" falar de saudade. Porque é falar de passado que é algo que não se muda e não vale a pena "chover no molhado", para citar o nosso nobre povo.
Como em tudo, há quem ache que sim, quem ache que não e quem esteja sempre pronto a criticar a saudade alheia. Outra recolha da sabedoria popular; o velho, o rapaz e o burro.
Eu tenho saudade, sim, de tudo o que vivi. Mesmo que a minha infância não tenha sido muito  cor-de-rosa como gostava de tivesse sido, até o baloiço pendurado no quintal da minha avó me traz um tempo em que sonhava, coisa que já vai sendo difícil hoje. (Esse baloiço ainda me embala desilusões.) Tinha futuro, achava eu. E tinha mesmo! Este quintal era e será sempre o meu paradise lost porque ali vivi todos os afectos do mundo. E havia a certeza que todas as rejeições, entre os que ali moravam ou lá iam de visita, acabavam bem. Dei uma mordidela à minha prima Madalena para lhe mostrar que tinha as minhas armas, apesar de ser uma lingrinhas indefesa..... Desculpa, priminha! Levei o tau-tau da ordem e nunca mais se falou nem se mordeu o assunto.
Tenho saudades da minha adolescência, cheia de diários e segredos, bilhetinhos e namoros quase. E dos bailes dos Velhos Colonos, onde ninguém me vinha buscar para dançar e eu até agradecia porque era uma das minhas incompetências, entre outras....
Tenho saudades do tempo desta foto, da intensidade do namoro, de pensar que tinha de me conformar com a rivalidade do futebol, sobretudo no inverno,  e das voltas em bicicletas, prato forte do verão....
Apetece-me viajar no tempo e dizer à Madalena de então: Tens de ser forte!, que  é o que me dizem agora, vezes sem conta, como se houvesse alternativa, qualquer que seja o "campo" da vida a ser preenchido....

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