Obrigada por nos teres deixado os teus quadros. Podemos assim conversar com eles porque tu estás por aqui, sempre. E os Porquinhos são o teu discurso de sobrevivência, por excelência. Não foi por acaso que os pintaste na enfermaria das crianças...
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domingo, 21 de fevereiro de 2010
Cinco Anos
Obrigada por nos teres deixado os teus quadros. Podemos assim conversar com eles porque tu estás por aqui, sempre. E os Porquinhos são o teu discurso de sobrevivência, por excelência. Não foi por acaso que os pintaste na enfermaria das crianças...
sábado, 24 de janeiro de 2009
A mais bela estação
Pensei, sem pensar muito, que se tratava de uma estação do ano. À minha pobre cabecita, atolada de "objectivos", não ocorreu que podia tratar-se da lindíssima estação de comboios da minha cidade.
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!
(Mais uma vez te traí, minha cidade! Eu devia ter pensado logo, devia ter-me lembrado logo de ti, cidade, que guardas a memória dos meus sonhos adolescentes, que guardas ainda a minha esperança de futuro.)
Mas, depressa varri da consciência estes inúteis remorsos que só crescem porque eu deixo, porque me fazem companhia. Depressa deixei que uma saudade mais benigna tomasse conta da memória dessa estação e percorri dentro de mim o cais imenso. É mesmo um cais de partir e de chegar.
Assomei à janela de um desses comboios não menos emblemáticos do tempo e acenei.
Um dia hei-de aí voltar, minha cidade!
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Lá para trás, para os lados da escola...
Aos cinco anos eu tinha sonhos de independência e liberdade! Concretizáveis a curto prazo: tipo daí a um ano, no máximo. Se há pensamentos de que me lembro bem , este é um deles. Aos seis anos, eu até podia casar! "E até casar!", como diz a cantiga do Rui Veloso!
(Como coincidiam os meus ideais e os da Susaninha!)
Chegaram os seis anos e afinal não casei. Em contrapartida, fui para a escola.
Foi o meu pai que me levou, no primeiro dia. Era amigo da professora e queria recomendar-me, pois sabia que ia estar fora, na distante Metrópole, durante um ano.
O meu pai era sempre muito bem recebido em qualquer lado e isso também aconteceu na escola. Além do mais, tratava-se de uma professora e os mecanismos de sedução, por mais silenciosos e inocentes que fossem, funcionavam sempre.
A professora recebeu-nos com muita simpatia, mas percebi logo que toda a amabilidade era mais para o meu pai do que para mim.
Pouco tempo depois, o meu pai partiu então para Lisboa, conforme estava previsto. Veio de avião, num "Super Constelation", se a memória não me trai, com paragem num sítio com um nome muito estranho: Cano, escrito, se não me engano, com K. Kano, pois!
Era muito difícil ir para a escola e sentir que a vida era dura. Nem podia desabafar com ninguém, porque não sabia como é que se contavam as coisas que me passavam pela cabeça, por onde não passavam apenas os laçarotes enormes que me obrigavam a ostentar. Nem conhecia a palavra desabafar.
Não tinha amigos e não sentia na professora qualquer simpatia por mim. Quando lhe disse que já sabia ler, porque a Dona Irene me tinha ensinado no Jardim dos Pequeninos, a super-professora não acreditou e pôs-me à prova. Atrapalhei-me e nem li assim tão bem como até sabia!
A minha mãe, que também se entregava à saudade do meu pai e ao medo de o perder ou de ter de o dividir, reparou na minha tristeza. Agarrou em mim e levou-me para outra escola. (De facto, ela nunca confiara muito nas amigas do meu pai!)
E foi então que fui entregue a alguém que me ajudou a aprender, que me ensinou mesmo a aprender, com um carinho e uma amizade que não esquecerei.
A Pitucha voltou à escola. Resolvi ir com ela. Andei um pouco mais para trás e cá cheguei às duas escolas que fizeram muito por mim, cada uma à sua maneira. Ensinaram-me, por exemplo, que muitos alunos esperam de um professor muito mais do que letras e números. Basta olhar lá para trás...
E, ao longo do ano, tirámos imensas fotografias como esta, que seguiam para Lisboa, talvez para matar saudades! Como se as saudades se deixassem alguma vez morrer por causa de uma simples fotografia!
(Como coincidiam os meus ideais e os da Susaninha!)
Chegaram os seis anos e afinal não casei. Em contrapartida, fui para a escola.
Foi o meu pai que me levou, no primeiro dia. Era amigo da professora e queria recomendar-me, pois sabia que ia estar fora, na distante Metrópole, durante um ano.
O meu pai era sempre muito bem recebido em qualquer lado e isso também aconteceu na escola. Além do mais, tratava-se de uma professora e os mecanismos de sedução, por mais silenciosos e inocentes que fossem, funcionavam sempre.
A professora recebeu-nos com muita simpatia, mas percebi logo que toda a amabilidade era mais para o meu pai do que para mim.
Pouco tempo depois, o meu pai partiu então para Lisboa, conforme estava previsto. Veio de avião, num "Super Constelation", se a memória não me trai, com paragem num sítio com um nome muito estranho: Cano, escrito, se não me engano, com K. Kano, pois!
Era muito difícil ir para a escola e sentir que a vida era dura. Nem podia desabafar com ninguém, porque não sabia como é que se contavam as coisas que me passavam pela cabeça, por onde não passavam apenas os laçarotes enormes que me obrigavam a ostentar. Nem conhecia a palavra desabafar.
Não tinha amigos e não sentia na professora qualquer simpatia por mim. Quando lhe disse que já sabia ler, porque a Dona Irene me tinha ensinado no Jardim dos Pequeninos, a super-professora não acreditou e pôs-me à prova. Atrapalhei-me e nem li assim tão bem como até sabia!
A minha mãe, que também se entregava à saudade do meu pai e ao medo de o perder ou de ter de o dividir, reparou na minha tristeza. Agarrou em mim e levou-me para outra escola. (De facto, ela nunca confiara muito nas amigas do meu pai!)
E foi então que fui entregue a alguém que me ajudou a aprender, que me ensinou mesmo a aprender, com um carinho e uma amizade que não esquecerei.
A Pitucha voltou à escola. Resolvi ir com ela. Andei um pouco mais para trás e cá cheguei às duas escolas que fizeram muito por mim, cada uma à sua maneira. Ensinaram-me, por exemplo, que muitos alunos esperam de um professor muito mais do que letras e números. Basta olhar lá para trás...
E, ao longo do ano, tirámos imensas fotografias como esta, que seguiam para Lisboa, talvez para matar saudades! Como se as saudades se deixassem alguma vez morrer por causa de uma simples fotografia!
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