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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O ouro é dele! "O sonho continua"

Nelson Évora nasceu a 20 de Abril de 1984 na Costa do Marfim. Filho de pai cabo-verdiano e mãe costa-marfinense, Nelson acabou por ficar com nacionalidade cabo-verdiana. Como o pai, Paulo, começou a trabalhar muito cedo como contra-mestre de navios, pôde reformar-se cedo e, querendo dar uma boa educação aos filhos, trouxe-os para Portugal. Na altura, Nelson tinha 5 anos.
Por ironia do destino, a família Évora fixou-se em Odivelas, no andar de cima de João Ganço, antigo recordista nacional de salto em altura e primeiro português a passar 2m, que tinha três filhos igualmente pequenos. David, por ser apenas um ano mais velho que Nelson, tornou-se no seu melhor amigo. Certo dia, João Ganço vendo-os a brincar à porta do prédio sugere a Nelson que começasse a praticar atletismo como o David, e assim, se inicia a carreira desportiva de Nelson.
Nelson, treinando nas instalações da Escola da Ramada, começou a participar nas provas de estrada do Torneio de Loures e, em conjunto com o David, dominavam o seu escalão.
Aos 10 anos, ingressa no Odivelas Futebol Clube, e como benjamim salta 1,64m no salto em altura... quando ele próprio media pouco mais de 1,40m. Nesse escalão havia o Troféu Nuno Nogueira e o Nelson, mesmo passando as provas de marcha a contar anedotas no grupo dos últimos, ganhava esse troféu.
Como o Nelson e o David davam nas vistas, o Benfica convidou-os a ingressarem no clube e, graças às melhorias das condições de treino, Nelson começou a revelar o seu talento e as suas aptidões físicas na disciplina de saltos. Em infantil, melhora o seu record pessoal no salto em altura para 1,75m e no salto em comprimento, faz 5,50m o que significava que já não tinha adversários ao seu nível, nem mesmo nas provas combinadas.
Como iniciado, atinge uma espectacular marca no salto em altura: 1,98m, no salto em comprimento faz 6,46m e, numa primeira abordagem ao triplo salto, salta 14,35m.
Aos 15 anos, uma grave lesão num joelho fez-lhe ter medo do salto em altura, mudando-se para os saltos horizontais. É assim que se explica que em juvenil de 1º ano não tenha melhorado no salto em altura. Contudo, no salto em comprimento aproxima-se dos 7m e no triplo dos 15m. Na segunda época de juvenil, Nelson salta 7,55m no comprimento e 16,15m no triplo salto. Representa pela primeira vez Portugal no Festival Olímpico da Juventude Europeia, trazendo logo uma medalha de ouro na prova de salto em comprimento.
Completando os 18 anos em 2002, Nelson opta por se naturalizar português esclarecendo que é em Portugal que está a sua vida, e que se sente mais português que cabo-verdiano ou marfinense. E, só como júnior começa a inscrever o seu nome nos records nacionais portugueses. É também como júnior que Nelson Évora passa pelo F.C. Porto e se mostra um atleta de futuro a nível mundial. Em 2002 participa no Campeonato Mundial de Juniores em Kingston (Jamaica), quedando-se pelo sexto lugar no triplo salto mas àquem do seu record pessoal, fazendo 15,87m. E em 2003, é duplo campeão europeu de juniores em Tampere (Finlândia): no salto em comprimento e no triplo salto com 7,83m e 16,43m, respectivamente.
Começaram a chover propostas de universidades americanas, mas Nelson, um jovem muito caseiro e muito ligado aos amigos e ao seu treinador, não se deixou convencer. Sem a família por perto, Nelson não é feliz e, se fosse para os Estados Unidos, a família estaria muito longe de Nelson, e isso seria doloroso para quem “ter amor por perto é o mais importante...”
Em 2004, voltou para o seu clube de coração, o Sport Lisboa e Benfica, mas foi um ano marcado por uma lesão que quase impedia a sua presença nos prestigiantes Jogos Olímpicos que se desenrolaram em Atenas. No entanto, fez uma recuperação fantástica a tempo de participar, só não conseguindo chegar à marca de acesso à final. Mas mesmo assim, esta presença foi proveitosa para Nelson ganhar experiência e sobretudo para sentir de perto as grandes emoções que se vivem numa competição deste nível.
Em 2005, conquistou a medalha de bronze no triplo-salto com 16,89 metros, no Campeonato da Europa Sub-23 em Erfurt (Alemanha) e participou no Campeonato do Mundo em Helsínquia, falhando a qualificação para a final por poucos centímetros ao ser 14.º nas eliminatórias. Durante esta época, Nelson volta a dar um “saltinho” ao salto em altura, para ajudar colectivamente o Benfica no campeonato de sub-23, e consegue passar 2,07m sem qualquer treino específico...
No ano seguinte, Nelson dá definitivamente o pulo para o grande circuito mundial quando em Fevereiro num dos primeiros meetings internacionais de pista coberta, ganha em Moscovo (num dia em que até estava bastante indisposto), batendo o record nacional pertencente a Carlos Calado e ficando, durante algumas semanas como líder mundial com a marca de 17,19m. Em Moscovo, Nelson participaria ainda no Campeonato do Mundo em Pista Coberta, no qual alcançou o sexto lugar. Também em 2006, esteve no Campeonato Europeu em Gotemburgo acabando em quarto lugar no triplo-salto com a marca de 17,07 metros (na eliminatória tinha feito 17,23- novo record nacional). Ficou ainda em sexto no salto em comprimento com a marca de 7,91 metros.
No ano de 2007, Nelson participou no Campeonato Europeu em Pista Coberta em Birmingham no triplo salto, no qual obteve o 5.º lugar. Nessa competição, Nelson lesionou-se logo ao primeiro ensaio, tendo ficado impossibilitado de lutar pelo pódio, algo que já seria expectável. Torna-se pela primeira vez, presença regular nos maiores meetings do circuito europeu e, em Madrid, fixa novo record mundial em 17,51m. E em Agosto, nos Mundiais de Osaka, Nelson Évora entra para a história, sagrando-se campeão do Mundo de triplo salto com a espectacular marca de 17,74m (segunda melhor marca mundial do ano) e também recorde nacional.
2007 foi o ano da grande confirmação em sénior de quem já tinha sido dos melhores juvenis e juniores mundiais mas desengane-se quem pensa que Nelson Évora vai ficar por aqui porque “o sonho continua...”.
Texto de Rafael Lopes
Hoje o coração puxa-me para a minha costela saloia e fico ainda mais emocionada pela referência a lugares que também são meus pela legitimidade dos vinte anos que vivi em Odivelas.imagem do Jornal de Notícias
Obrigada, Nelson Évora!

Mal nos conhecemos inaugurámos a palavra Amigo

O'Neill, o poeta que não parece poeta. Se passar por um Pessoa e me disserem: ali vai um poeta, eu acredito. O mesmo não diria ao passar por um O'Neill. Ali vai um homem. Normal? Talvez! Zangado? Não sei porquê, mas todos os retratos de O'Neill me dão a ideia de um homem zangado. Claro que para um poeta o mundo não é senão um espaço hostil, uma espécie de cenário de guerra onde ele sozinho combate toda a espécie de inimigos. Então não sei por que é que Pessoa me parece poeta e O'Neill me parece mais um homem igual aos outros que não são poetas. Nem vencidos da vida, nem convencidos da vida, como o próprio O'Neill chamou a alguns que "querem vencer, querem, convencidos, convencer"; a alguns que "estão convencidos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras".
O'Neill morreu há vinte e dois anos. Ou ele antecipou uma visão de sociedade, ou ela já existia assim e continua assim: cheia de falsidades, de cinismos, povoada dos tais convencidos da vida.
De qualquer modo, O'Neill, o homem zangado, conhecia bem o que quer dizer a palavra Amigo!

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo»
é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
«Amigo»
(recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,
Não
o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.
«Amigo»
é a solidão derrotada!
«Amigo»
é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

With a little help from my friends

Oh I get by with a little help from my friends
Mm going to try with a little help from my friends
Oh I get high with a little help from my friends
Yes I get by with a little help from my friends
With a little help from my friends

O Festival de Woodstock abriu a 15 de Agosto de 1969. Foi um evento musical que pôs em marcha a luta da juventude de então (os velhadas de hoje, como eu!)contra a corrente do pensamento dominante.
A liberdade estava na linha do horizonte. Era preciso chegar lá. Era preciso viver diferente, em todos os campos da vida.
Porquê lutar contra os inimigos escolhidos pelos governos?
Os porquês do amor vieram à baila e os tabus foram despidos e vencidos no próprio campo do festival. Nus e felizes os manifestantes de Woodstock pensavam ter chegado lá, ao cume do ideal...
Alguns corpos não aguentaram tanta ilusão e essas foram as grandes baixas destes campos de batalha.
A cantiga dos Beatles "With a little help of my friends" subiu ao palco no primeiro dia do Festival, no próprio dia 15 de Agosto, pela voz de Richie Havens .
E este é um refrão que diz muito sobre um legado do valor de amizade que nos tem acompanhado ao longo de uma vida dita adulta. Envelheceu connosco!
Yes, I get high with a little help from my friends!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

No dia 6 de Agosto...

A humanidade dobrou o jornal aliviada. Torga escrevia assim no seu Diário. A ironia do escritor dói-nos e transmite-nos a dor sentida para quem viveu o dia mais triste da humanidade.
Hoje, como todos os anos, na Hiroshima reconstruída, as novas gerações reconstroem também a esperança na humanidade.
Numa Declaração de Paz das Crianças, recordam-se as vítimas e agradece-se aos sobreviventes: "...our generation lives because these people survived. We live because of the peaceful city they built us. Now, we want to say "thank you" to these survivors, from the bottom of our hearts."
Que este dia não volte mais. Recordemo-lo, por isso mesmo!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O milésimo quingentésimo post...

...vai abrir em flor!E vai ser feito de flores!Só flores!Apenas flores!Daquelas flores... ...que merecem e valem a honra simbólica desta celebração redondinha!Orquídea final parágrafo!