Tínhamos conversas leves sobre coisas sérias... Tínhamos conversas leves sobre coisas leves... Tínhamos conversas sérias sobre coisas sérias. E foi assim ao longo da Vida, da Vida em que coincidiram o teu tempo e o meu tempo. E a conversa foi talvez a principal ferramenta da minha educação. Cresci nessas conversas. Sentia-me muito importante para ti. Quando tu tinhas "razão" ou quando eu tinha "razão", quando eu também já esgrimia contigo os argumentos da vida vivida. Obrigada, papá, por me teres feito sentir "uma pessoa muito importante" para ti.
Pai e filha, como qualquer pai e qualquer filho! "For you will still be here tomorrow, but your dreams may not."
Também falámos sobre sonhos e projectos e também me disseste que "não deixasse para amanhã o sonho do dia de hoje".
Hoje seria o dia "mais" da conversa. Gostavas de ser o centro das atenções, sobretudo no dia dos teus anos. Sonhavas com prendas como os miúdos pequenos!Tinhas esse direito, sobretudo nesse dia especial!
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sábado, 4 de junho de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Oh My Papa!
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Eu tenho de falar sobre isto
Sobre a última crónica de Lobo Antunes na Visão.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."
Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
Não sei muito bem por onde começar, porque o que ali está se aproxima muito da maneira como o meu pai continua vivo, cá dentro, num espaço de memória onde nunca ninguém morre e, melhor do que isso, nem tão pouco envelhece ou degrada.
O meu pai acreditava em mim, por muito que lhe tenha causado uma enorme desilusão com o "chumbo" no quinto ano e depois a escolha das letras em vez da medicina, como ele ambicionava.
Eu não revisito o Hospital onde costumava encontrá-lo, onde ele vivia, onde passava os dias e muitas, muitas noites, onde tratava doentes que o estimavam pela qualidade profissional e pela qualidade humana que punha no que fazia, onde vivia também outros lados da vida: onde se apaixonava perdidamente, onde observava as outras paixões secretas, onde fazia amigos novos todos os dias, porque muitos doentes saiam de lá seus amigos, onde cultivava a amizade dos antigos com igual cuidado, também todos os dias. Ao contrário do que acontece hoje, foi a trabalhar na enfermagem que se fez enfermeiro, tendo feito os estudos necessários mais tarde, no então chamado Instituto Rockefeller, instituição reputada, onde se formavam enfermeiras. Ele era o homem entre as mulheres. (Claro que se apaixonou perdidamente, vezes sem conta! Era tentação a mais!) Não revisito o hospital, a não ser na minha memória: o velho Hospital Miguel Bombarda!
"Até me mostrava o Serviço e parecia ter orgulho em mim..." Esse orgulho, embora não se falasse destas coisas nessa altura, foi vital para que eu tomasse mais tarde determinadas decisões com confiança. Foi vital para a minha auto-estima, digo eu, hoje.
Mais tarde percebi que esse orgulho era muito verdadeiro. Uns dias (poucos) antes de morrer disse-me que de facto eu nunca lhe tinha dado sequer um problema. Claro que exagerava, porque estava frágil. Esqueceu certamente alguns problemas que lhe dei, mas eu mesma tenho a noção de que no meu tempo de jovem, não passávamos os nossos problemas aos pais. Pelo contrário! Fazíamos o possível e o impossível para que não fossem atingidos pelas nossas asneiras. Não queríamos que se sentissem culpados pelos nossos passos errados. Mas também é verdade que o meu pai me ensinou o direito de errar, de não seguir conselhos, de fazer as coisas à minha maneira. Sujeitava-me claro às consequências, que não eram só más. Com os erros também se cresce!
Se eu pudesse diria ao L.A.: "Muito obrigada, por estas crónicas, sobre o seu pai, que se parece tanto com o meu."

Fotografia - Imagem da 1ª Semana de Enfermagem no Ultramar. Organização do meu pai. Cartaz do meu pai.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
4 de Junho
Querido Jesus, em vez de você fazer as pessoas morrerem e aí criar novas pessoas, porque é que você não fica com as que já tem? Recado de Marcelo, criança.
Este "recado", que só pode mesmo nascer no coração de um menino, bateu em cheio na meu desejo, como acerta em todos os corações que "sofrem" desta incompreensão.
À medida que o meu tempo vai passando, tenho cada vez mais a certeza de que uma vida só não chega!
Ao ver esta tua fotografia, Papá, ponho-me a pensar se não estarás já a fazer a marcha-atrás no tempo de além, para voltares outra vez e viveres mais uns sonhos, liquidares mais umas contas de vida.
E ainda vais ficar com sonhos em espera, eu sei!
Um dia destes é 4 de Junho mais uma vez e tu apareces, por aqui, com aquele teu encantamento dividido entre a beleza, essência da vida, e o avanço da ciência, essência da esperança.
Quando voltares, já sabes, quero que sejas meu pai, outra vez!
Este "recado", que só pode mesmo nascer no coração de um menino, bateu em cheio na meu desejo, como acerta em todos os corações que "sofrem" desta incompreensão.
À medida que o meu tempo vai passando, tenho cada vez mais a certeza de que uma vida só não chega!Ao ver esta tua fotografia, Papá, ponho-me a pensar se não estarás já a fazer a marcha-atrás no tempo de além, para voltares outra vez e viveres mais uns sonhos, liquidares mais umas contas de vida.
E ainda vais ficar com sonhos em espera, eu sei!
Um dia destes é 4 de Junho mais uma vez e tu apareces, por aqui, com aquele teu encantamento dividido entre a beleza, essência da vida, e o avanço da ciência, essência da esperança.
Quando voltares, já sabes, quero que sejas meu pai, outra vez!
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