Mostrar mensagens com a etiqueta Dias de..... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dias de..... Mostrar todas as mensagens

domingo, 2 de maio de 2010

O Segundo Dia da Mãe: o meu

Como diz o Mia Couto, "Um filho afinal é quem dá à luz a mãe."
Obrigada, Filhos!
Quando soube que vinham a caminho, desejei que fossem sempre os mais belos, os mais inteligentes e os mais saudáveis. Mas, à medida que foram crescendo, que a vida foi andando, ou melhor, correndo (e eu a correr atrás dela!), fui entendendo que esse desejo se transforma num outro: no desejo de saber que são felizes.
Nada de especial, portanto. Todas as mães são assim. Todos os dias.

domingo, 21 de março de 2010

E a Poesia?

Imagem, de Miguel Torga

Este é o poema de uma macieira.
Quem quiser lê-lo,
quem quiser vê-lo,
venha olhá-lo daqui a tarde inteira.

Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.

São dois barços abertos de brancura;
mas em redor
não há coisa mais pura,
nem promessa maior.

Vila Nova, 4 de Abril de 1936São Martinho de Anta, Março 2006
Para a TP, porque também é "Torguiana" e para todos e todas que gostam de poesia e da Primavera

sábado, 20 de março de 2010

O Dia dos Pais

À medida que a vida avança, evolui o significado dos vários elementos que constituem essa mesma vida. As rotinas tornam-se imprescindíveis bengalas de segurança. Os sentimentos ganham matizes dourados de Outono. O bom torna-se muito bom. O mau, por vezes, afunda-se e desaparece nas profundezas da nossa indiferença. O belo, cada vez mais belo. E todos os dias fazem sentido!

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dia da Mulher

Não nascemos mulheres; tornamos-nos mulheres, disse Simone de Beauvoir.
Hoje celebra-se a Mulher: a pobre e a rica; a bonita e a feia; a que vende saúde e a que sofre; a que passou por alegrias mil e a que provou o pão que o diabo amassou. Ainda há as novas e as que já não são. Diz o nosso Nobel (Gosto de o tratar assim. É o orgulho a funcionar!) sobre a sua avó Josefa: "trave da tua casa", "lume da tua lareira".
A propósito desta data, tenho-me lembrado muito da minha mãe e é a ela que quero prestar esta simples homenagem. Apesar de todas as vicissitudes das condições actuais, não perde o gosto de pôr o seu baton, o rouge, o perfume e os brincos. Acho que é coragem! E a coragem também não nasce connosco, a coragem aprende-se e, pela força do exemplo, ensina-se!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Os Dias da Televisão

Cresci sem televisão e isso fez de mim uma pessoa diferente: mais "saloia", mais ingénua...A caixinha mágica maravilhou-me, emocionou-me intensamente, como maravilhou todos os que não a conheceram à saída da maternidade, como aconteceu, certamente, com a maioria dos que me estão a ler.
O primeiro aparelho de televisão que eu vi foi levado da "Metrópole" para Lourenço Marques, pela minha tia, quando regressou, depois de quatro anos de ausência em Lisboa. Não funcionava, claro! e pergunto-me a razão pela qual o terá levado. Com esperança de ainda o vir a usar? Talvez em nome da companhia das noites de Inverno? Talvez em nome de um apego qualquer que temos às coisas, quando obtê-las não está ao alcance rápido e imediato da nossa vontade?
Não sei. Levou o aparelho de televisão cujo ecrã parecia uma lente dos óculos dos muito míopes, mas em grande...
E eu, só vi televisão, pela primeira vez, em Lisboa, quando vim para a Faculdade.
Fiquei num Lar de Estudantes (freiras) no Lumiar onde já estava a minha amiga Zé, que tinha vindo para Direito. Fiquei num quarto de três e tínhamos em comum a distância e a saudade e com isso fizemos uma imensa amizade que perdura e se mantém, "para lá de" e "apesar de". Somos irmãs de coração, para o bem e para o mal.
No piso onde ficavam o nosso quarto e outro, havia a sala da televisão, onde se apinhavam normalmente as "ultramarinas", raparigas no grau zero do conhecimento e da convivência com aquele aparelho mágico.
Se havia festival da canção ou outro evento igualmente importante para a época a sala transbordava porque as "metropolitanas" também queriam ver, mesmo sem esbugalharem os olhos de deleite. Só no Verão, ou assim que o tempo começava a dar autorização aos casacos, para ficarem em casa e às botas, para dormirem nos armários, os namoricos do bairro faziam alguma concorrência à caixinha que alimentava a fantasia adolescente. Mas ela lá continuava, indiferente a estas traições, sabendo que irremediavelmente nos aproximaríamos dela, de novo. Mesmo a preto e branco, sem efeitos nenhuns, especiais ou outros, era a Rainha das nossas Vidas.
Veio tudo isto a propósito de ter lido no Leme que a taxa da televisão tinha conhecido o seu fim, a 13 de Dezembro de 1990, pela mão de Cavaco Silva, então PM.
É que não era comprar, trazer para casa e mais nada. Era preciso registar o aparelho não fosse ele transviar-se, fugir para o Estrangeiro ou coisa do género! E fazer prova de vida. Não havia televisão nenhuma abandonada em vão de escada.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Criança

Valeu-lhe a feliz condição de criança...
É de Torga, dos Novos Contos da Montanha, esta criança. Pelos vistos, não gasta a sua infância nos montes. Não perde, nas serranias rudes e pedregosas, nem a inocência, nem as ovelhas! Qualquer balido o traz de volta, do sonho de menino à realidade do seu rebanho, sem mágoas e sem revoltas.
Era pelo menos assim, o menino pastor, o Rodrigo, que ficou para sempre guardado naquele "Milagre" que acontece em pleno conto, em pleno talento do poeta telúrico.
Bem-hajas criança que me devolves todos os dias o futuro que eu já vivi! Ou como diz o outro poeta, o Poeta Gedeão: eles não sabem nem sonham, que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança"

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia do Livro

Num desses programas da manhã, radiofónicos, claro! uma das perguntas a que os participantes deviam responder era (mais ou menos) esta: Qual foi o livro que mais o marcou? Eu sempre achei que a uma pergunta destas a resposta era mesmo múltipla, sem escolha, mas a verdade é que hoje fui confrontada com a minha resposta (eu pergunto, eu respondo, eu falo sozinha, de mim para mim, ninguém dá por nada!: Olhai os Lírios do Campo. Se foi este o livro que me assaltou a resposta é porque é esse o livro que mais me marcou.
Tudo tem uma explicação, ou pelo menos eu gosto de pensar que tem. Este foi o primeiro livro de gente grande que eu li, antes de entrar propriamente na idade grande. Marcou-me porque não o percebi, mas percebi que não o tinha percebido. E voltei a lê-lo já com os meus centímetros todos de altura. E voltei a lê-lo quando a chamada experiência da vida me segredou que o lesse...
Não fiquei com a Olívia agarrada à minha pele. Fiquei com o Eugénio, com as suas hesitações, indefinições, ambiguidades, ambições, vaidades e secretas humilhações.

sábado, 21 de março de 2009

Hoje é o dia...

em que as árvores se encontram com a poesia, mesmo que, para isso, os versos de Camões tenham de sair do Poema Maior, às escondidas. Nisto de poesia, não há que esperar regras rígidas, nem impor normas e leis para sempre. Um "poeta é um fingidor", como diz "um" Pessoa nosso conhecido e um fingidor pode fingir tudo, até "a dor que deveras sente".Hoje é também o Dia da Trissomia 21. A todos os que foram tocados por esta condição ou qualquer outra que obrigue a ir à luta com todas as forças do coração, um abraço grande, grande!
Imagem:da Ana Sousa,do livro "A Tia Árvore".(Uma pequena montagem que será desculpada pela artista!)