quinta-feira, 7 de março de 2024

 

Chuvinha

 

 Miudinha era uma nuvem pequenina, simpática e sorridente. Quando lhe apetecia brincar, chamava as amiguinhas e divertiam-se a deslizar, a saltar, dançar….

Um desses dias em que apetecia brincar, estava tão entretida que nem reparou que, a poucos metros, Dona Nuvem chorava grossos pingos de chuva. Seria o barulhento Senhor Trovão?

Mesmo assim resolveu continuar entretida a olhar para o recreio de uma escola. Se tivesse voz, ter-se-ia juntado à cantiga e dado as mãos na roda. Mas para isso, também era preciso ter mãos e braços e pernas. A Chuva Miudinha até tinha  sonhado que um dia poderia participar nestas brincadeiras.  Pareciam meninos felizes! 
Uns minutos mais tarde, as crianças deixaram a roda e dirigiram-se para debaixo de um telheiro. Reparou então que eles estavam abrigados do choro da Dona Nuvem.
Deslizou pela parte azul até chegar à Dona Nuvem e pediu-lhe, quase a chorar que deixasse os meninos voltarem ao recreio.
Condoída com o desgosto da Nuvem Menina, a Grande Nuvem fez-lhe a vontade. Secou o pranto e pediu ao Senhor Trovão que parasse com a barulheira….
E o céu ficou muito azul e os meninos voltaram à roda…

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Boas notícias!
Desta minha janela virada para o rio, não verei máquinas escavadoras ou outras, não verei blocos gigantescos de cimento, nem flamingos assustados.
Posso continuar a namorar o rio que guarda o meu deslumbramento.
Desta minha janela virada para o rio, posso assistir ao espectáculo de luz, cores, tons, ondas trazidas pelo vento ou qualquer outra brisa.
Desta minha janela virada para o rio, ao cair do dia, protegida pela miopia dos curiosos, poderei tocar a linha do horizonte.
Chegarei assim ao Mar, Pai Grande do rio....
Boas notícias: "...a crise causada pela pandemia veio dar ao Governo tempo para ponderar sobre a possibilidade de uma avaliação ambiental estratégica sobre o novo aeroporto do Montijo." 
— em 
utras pess

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terça-feira, 12 de maio de 2020

Hoje, presta-se homenagem ao enfermeiro!
Hoje, todos sentimos um desejo forte de agradecer, aos trabalhadores da saúde, a dedicação aos doentes de covid.
Uma doença nova, um inimigo feroz mas invisível, uma ameaça de morte ao minuto...
É na condição de doentes que melhor percebemos a fragilidade da vida e quanto a intervenção da ciência pode reverter a condição e oferecer mais vida e melhor vida.
O Primeiro Ministro britânico deu testemunho e prestou uma homenagem em forma de gratidão.
Bem-hajam!
Percebo e sinto-me, mais do que nunca, solidária com a homenagem do dia.
Na fotografia: o meu pai, talvez em Lourenço Marques/Maputo.

sábado, 27 de outubro de 2018

Parle moi de mon enfance

Estou ainda embalada pelas canções do mítico cantor belga, Salvatore Adamo, que ontem, com ligeireza no corpo e força imensa na voz, conduziu a máquina do tempo rumo aos momentos em que a geração Maio 68 foi feliz. Essa geração, também já chamada "peste grisalha", desembarcou do sofá e aterrou no Coliseu, em Lisboa. 
Hoje parecem-me inesquecíveis os momentos ontem vividos, ou melhor revividos, na também mítica sala de espectáculos. Adamo cantou, dançou, dirigiu a orquestra que o acompanhou e também o público que o acompanhou com entusiasmo crescente, a pedir os mais significativos registos do "nosso tempo"

Adamo recebeu rosas e outras prendas, agradecendo sempre com um beijio na mão de quem trazia as flores ou talvez uma garrafa de vinho.
Agradeceu, agradeceu, agradeceu sempre com a humildade dos grandes e a ternura dos setenta....
Merci, Monsieur Adamo!

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Parabéns, filho!






Parabéns, filho!
Há 40 anos nascemos os dois em Lisboa, na já fechada clínica de São Gabriel, num tórrido domingo de fim de verão, pelas 17.20, guiados pelas mãos seguras do Dr Ferreira Vicente.
Já deves saber de cor os pormenores do dia, tão repetidos que foram.
O tio César tinha promovido um almoço "com todos", em Telheiras, no Restaurante "O Jacinto". Claro que eu e tu faltámos, mas o teu pai ainda veio a tempo de te ver chegar. Não havia ecografia portanto ser menino ou menina era sempre uma grande surpresa. "Outro rapaz" foi o que eu ouvi e foi assim que  soube que tinha de arranjar ou escolher um nome, porque havia a urgência do preenchimento da ficha do Sporting.
Entretanto, de acordo com a tecnologia da época, acendeu-se uma luz azul que anunciava que tinha nascido um menino. A tua avó apressou-se a dizer que aquela luz não era para ela. Estava à espera de uma luz encarnada a anunciar a menina....
Foste assim o quinto neto rapaz!
Depois foram todos embora e eu fiquei contigo a contar os dedos das tuas mãos e dos teus pés e a contemplar, como acontece com todas as mães.... 
Como diz o Mia Couto, " um filho é que dá à luz uma mãe"!

Parabéns, filho e um dia feliz! Hoje a banda sonora é brihantemente interpretada pelos teus filhos!
Beijinhos!

quarta-feira, 14 de março de 2018

Parabéns, Querida Joana!

Parabéns, querida Joana, Meu Amor!Seis anos é uma idade etapa e, a partir de hoje, estás neste patamar que te vai levar escada acima dos conhecimentos, que se percebem já nos dentinhos escondidos e outros sinais menos visíveis.O teu nascimento foi como uma promoção, a maior promoção da Vida! Ganhei um novo nome! Ganhei um título de que me orgulho muito! Há seis anos que sou a Avó Madalena!Ao longo destes seis anos descobri contigo, ou melhor, redescobri contigo e percorri contigo os caminhos da fantasia, com deslumbramentos de imaginação, só ao alcance da inocência. Abrimos juntas um tesouro de alegrias perdidas, de sonhos adormecidos e outras jóias como o teu sorriso lindo, a tua voz doce e os teus olhinhos que agarram tudo o que vêem.Obrigada, meu amor!Um dia muito feliz, Princesa Sereia Fada .... Joana !

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Queridos Porquinhos

Arrependida, como convém a quem tem o meu nome, aqui estou a pedir perdão deste abandono!
Foram muitas coisas e, como diz alguém tão importante como vocês, mete-se o natal, mete-se o fim de ano, mete-se tudo e mais alguma coisa que serve de desculpa para qualquer ausência.
Mas, há quatro dias, os porquinhos falaram-me de ti, do teu amor pela vida, do teu amor pelas pessoas, do teu amor pela arte. Quando olho para o quadro do velho e do cão, caminhando por uma vereda adentro cheia de nevoeiro no horizonte, penso nas despedidas da vida que já vivi. Quando olho para os teus quadros, falo contigo!
Enquanto eu viver, os  orquinhos estarão por aqui aqui!
Obrigada papá, por tudo o que me ensinaste!
Hoje foi a tua bisneta, a Joana, que veio conhecer os Porquinhos e o Lobinho!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Parabéns, Querido Duarte!

Hoje é o teu Dia, meu querido Duarte! 
Estás mesmo um crescido! Até já mudaste de cadeira no carro! 
Gostas de Super Heróis porque tu também és um Super Herói a trabalhar com as forças do bem. 
E a tua principal arma, para além da tua natureza humana, é um sorriso que derrete os corações de quem te rodeia. É uma arma infalível! Eu já fui atingida muitas vezes. Adoro-te, meu querido Dudu! 
Parabéns! Bora lá Duarte Capitão Super Homem Aranha Carvalho Mendonça Santos!


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Dias... de todos nós....

"As visitas dos mortos que se amou são uma prova de amor. O amor que tiveram por nós vai aparecendo, como uma visita quase regular, porque se revela em gestos lembrados." Miguel Esteves Cardoso, Público, hoje
Todos os dias a minha memória e o meu coração prestam uma homenagem aos meus. Talvez os visite, para usar as palavras do escritor, através do que me deixaram. A vida, legado dos meus pais e avós! Os ensinamentos ou lições para ser feliz ou fazer felizes os outros. Dou-lhes conta das minhas falhas, dos meus erros e dos meus desvios. É um culto de memórias de momentos bons e felizes. É o culto que dói menos...

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Ir a Peniche e ..... voltar


  O Cabo Carvoeiro. É o rosto assustadoramente triste, onde, em rugas de tragédia, corre o sal das lágrimas da terra e da gente de Peniche.
Há traços  que documentam o destino de um povo que vive paredes meias com o mar,  que se embrulha em salgada vizinhança com intuito de trazer o peixe que alimenta o sonho de ver crescer os filhos....
Mas Peniche não é apenas dor. Não é apenas labuta! Também é prazer, festa e escola. Há neste mar e nesta terra, como em todas as gentes, esse lado de festa, com uma dança que se dança em cima de ondas que tocam a música de sempre: a sua, a do mar. Peniche é também um santuário do surf, assim se chama, e aí acorrem os mais novos para prender e aprender todas as sensações que uma crista de onda oferece. E é vê-los passar de prancha às costas, em jeito de procissão.
E há a coragem de resistir, mesmo quando os olhos só vêem mar e fragas! A coragem de acreditar que outros tempos darão testemunho desta luta que não se trava senão com armas feitas de ideal e desejo de liberdade.
E Peniche veste-se e cobre-se com um manto tecido de gotículas de água salgada. E esconde-se sob esse manto! E esconde, sob esse manto, um azul inigualável! 
Que o sol descobre se assim o quer!
Quem vai a Peniche traz tudo isto nos sentidos! 
Ir a Peniche e... voltar!





segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O Dia da Avó Madalena Primeira

Hoje é O Dia de falar da minha avó Madalena, um dos pilares importantes de todo o meu ideário, sobretudo no que toca aos valores da família! De tal maneira que sempre sonhei chegar a esta etapa e seguir as receitas de afecto da minha avó Madalena!
Seria o dia de recordar a sua imensa figura, os seus olhos imensamente verdes. Acho que os olhos da minha avó eram tão expressivos que dispensavam as palavras. Eles diziam o que era preciso dizer! Tinham aquela maroteira que anula a maldade, a má intenção!
As tardes eram domínio das mulheres. Num quartinho estreito, numa cama de ferro muito alta,nós, as mulheres pequenas, dormíamos a sesta enquanto as grandes cosiam, bordavam, faziam crochet e falavam bem e mal de quem ou quê aparecia como tema.
Hoje era o seu aniversário. Se as minhas contas estão certas a Avó Madalena Primeira nasceu há 125 anos!

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Letras assinadas, de Baptista Bastos

No paredão austero da Mundial, onde a prudência administrativa mandou pespegar uma lápida: «É proibido afixar anúncios nesta propriedade», um miúdo de metro e meio de altura escreveu a carvão estas letras infamantes para a higiene do edifício: «Viva o Benfica».
  O miúdo não percebia de leis, pelos vistos. O miúdo não sabia que homens muito sábios, muito avisados e muito prudentes têm escrito milhares de palavras de ordem - e que essas palavras de ordem foram articuladas para serem rigorosamente cumpridas. O miúdo só sabia que tinha uma mensagem para dizer, umas palavras que eram a ordem das coisas e a própria expressão do seu mundo: «Viva o Benfica». E o miúdo escreveu-as. Em letras grandes, mal feitas, mas grandes e arrogantes. Limpou as mãos aos calções e ficou a espiar a sua obra. Faltava lá qualquer coisa. Tornou a pegar no carvão e escreveu: «Manel». Responsável pela afirmação, o Manel não quis que ela ficasse anónima. A sua responsabilidade começou a partir daí. Um polícia aproximou-se lentamente. Viu tudo. E, como as leis são feitas para se cumprirem, agarrou num braço do Manel. O Manel a princípio ficou surpreendido e perplexo; depois, como ter medo é próprio dos homens, o medo apareceu-lhe em veios por todo o corpo, para se exprimir finalmente em resistência e lágrimas. 
  Começou a juntar-se gente. Manel gritava e o polícia manifestava firmeza na mão e indiferença no olhar. Com razão ou sem ela, a verdade é que as pessoas que formavam roda penderam em simpatias e inclinações para o miúdo-pardal-de-telhado que estava à beira de ser engaiolado. O polícia, certamente, começou a pensar que uma situação absoluta é horrível - concluindo para os seus botões de metal, que «nem tanto ao mar, nem tanto à terra», que é um belo aforismo, muito profundo e muito reverente. Afrouxou a pressão que fazia no braço do Manel. Afrouxou também a tensão que se estabelecera entre as pessoas que miravam a cena. Manel deu por isso com os seus olhos espertos e traquinas. E correu. E escapou-se. Porém, antes de virar à esquina, voltou-se para trás e gritou para o polícia:
  – Se calhar o sô guarda é do Sporting, não?


Baptista-Bastos  (1934 - 2017)

Conheci este texto num livro da escola, um manual de Português. Encantou-me. Nunca o esqueci. Hoje consegui encontrá-lo na net, num blog, ao dono do qual eu agradeço a publicação e tê-lo trazido para aqui. 

Baptista Bastos, o Manel e o paredão da Mundial

A vida dá e tira e é difícil fazer a gestão correcta através de um critério de justiça universal. Tudo o que de mal nos toca e nos causa sofrimento provoca um sentimento de injustiça imerecida. E a vida passa e a dor dói para sempre. 
Mas a vida, ou o destino traçado, ou não, também nos envia momentos felizes e inesquecíveis que deviam funcionar como bálsamo para os outros menos bons.
Mas nada disto está nos compêndios e há aqueles queixumes modernos: "A vida não traz livro de instruções!"
Mas lá para o outono/inverno começamos a reflectir e as coisas boas vêm à tona da memória e provocam boas emoções.
Se o passado pudesse ser mudado, outro galo cantaria, mas felizmente não pode: o que foi bom, foi bom; o que foi mau, foi mau.
Nos últimos tempos têm saído de cena vultos ilustres do mundo das artes que deixam o seu passado connosco, a sua vida, em suma, em verso, em prosa, em dó ré mi, a cores ou a preto e branco, esculpido a escopro e martelo.
Ontem foi BB que saiu da vida. Os que o conheciam e o amavam choram o homem, o marido, o pai, o amigo.... Outros, como eu, que o conhecia dos caminhos das palavras, ando à volta delas á procura de compreensão para uma ausência que era escusada (porque é sempre o que pensamos imediatamente) e ainda por cima é definitiva.
E assim andei hoje, todo o dia, aos encontrões com o "paredão austero da Mundial" onde era proibido afixar anúncios e um miúdo que "não percebia de leis" nem de avisos, escreveu : Viva o Benfica! E ainda por cima assinou: Manel!
Depois apareceu o Senhor Guarda que agiu conforme o seu entendimento do cumprimento das regras e agarrou o miúdo.
Juntou-se gente, como é costume e todos se começaram a sentir mal com o espectáculo. O guarda largou o miúdo, dando, como quem não quer a coisa, a oportunidade de fugir, para alívio de todos.
E o Manel ainda gritou a uma distância de segurança: " Se calhar o sô guarda é do Sporting, não?"
No tempo em que eu dava estas aulas não havia contadores de visualizações. Se houvesse, o BB ia adorar saber quantos milhares gostavam de o ler.
Eu cá partilhei este texto com centenas de alunos!
Adeus, BB! Obrigada pelas palavras que guardaremos para sempre!

segunda-feira, 27 de março de 2017

As horas

Demos um salto no tempo e cá estamos nós, com uma hora a menos de sono e de sonhos de um mundo melhor. 
 Mais vale dizer "devaneios", já que o sonho de um mundo melhor parece perder consistência e desfazer-se na tal espuma dos dias. 
Agora, não se pode ler/ver/ouvir notícias. É crime, tragédia, horror...

domingo, 26 de março de 2017

Sou do Sul e sou do Norte!

Sou do sul, claro! 
Mas também sou do norte, claro!
O meu prazer estende-se da leveza e do calor do Índico às praias da Normandia, onde cada grão dos extensos areais do desembarque é uma semente de liberdade.
Para saber de onde sou e de onde venho, procuro no GPS dos meus genes, confirmo a origem numa certidão desbotada que regista as “coordenadas”, como sempre se registaram, local e data. Nasci em Mocuba, terras banhadas pelo Zambeze, o grande rio. As imensidões são o meu património geográfico de referência.
Para saber onde estou, tenho a bússola do meu sentimento maior: os meus filhos! Nasceram e cresceram muitos dos centímetros do BI na terra saloia, de seu nome Odivelas, que é do norte e é do sul, onde D. Dinis, o poeta rei, viveu grandes aventuras amorosas. Terra da marmelada única e de bolinhos que dão pelo nome de esquecidos. Nas terras saloias, tanto faz ser do norte ou ser do sul. Ninguém liga a isso!
Há outras maneiras, outros percursos, para chegar ao sul de mim. Mas para isso há que obter um passaporte e uma autorização especial assinada por Adamastor. Conheço-o bem dos versos de Camões. É um pobre diabo apaixonado que sofreu o castigo de ficar para sempre petrificado a sentir-se beijado pelas águas, domínio do ser amado.
Pela História ou pela Geografia, serei sempre uma dualidade norte/sul, com muito gosto!

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"Cosas de viejos"

Há quase meio século que ouço a cantiga de Patxi que fala do tempo, do envelhecimento e das relações que envelhecem connosco, passando a pertencer à tristeza do agora, um presente com rugas.... 
Parece que todas as noites chove, mas o sono não cede porque é como um telhado resistente que permanece inteiro depois do temporal.
Mas o pior é o acordar. Acordar, enfrentar o novo dia é sempre muito difícil. 
Fazer o quê? 
O novo dia desperta-me sempre para um monte de tarefas que não me apetecem, para medos que não se vão embora, para sonhos amarrotados e a caminho do caixote do lixo.... 
Depois avanço em direcção ao dever e à obrigação de viver! 
Ao longo do dia tenho boas e más notícias. Nem todas me envolvem, nem todas me dizem respeito, mas as más assustam-me, nem que tenham acontecido no outro lado do mundo. Ou seja: a fragilidade da condição humana não me larga.
Como é que se aprende a viver? Mesmo quando tudo corre bem...
É a vida, dizem os doutos!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Dias da Radio... Mais um....

Hoje é dia mundial da rádio! 
A rádio faz parte do meu crescimento e ao dizer, ou melhor, ao escrever isto, não pretendo apossar-me de um momento como tendo sido apenas meu. Foi de todos nós! 
Recuando no tempo, como se de um fenómeno altamente tecnológico se tratasse, vou parar à casa da minha avó, à sala rectangular que prolongava um longo corredor e fazia de sala de refeições. 
 Entre um aparador enorme e uma porta, por cima de uma móvel que a minha memória não consegue reconstruir, havia uma telefonia. Era uma caixa enorme com botões e teclas, com uma espécie de ecrâ minúsculo com números e algumas letras. Ligava-se um botão e muito lentamente os sinais de vida iam aparecendo. Umas luzes…. E, finalmente, o som. Se fosse preciso afinar a sintonização pedia-se a intervenção de alguém com mais autoridade para o assunto: o meu avô!
E à hora do folhetim, todos se reuniam à volta do mágico aparelho que nos punha a par de romances com felicidades e momentos difíceis que promoviam ainda mais felicidade e romantismo. A pobreza também fazia parte do enredo, como acontece com as histórias de encantar. Os pobres merecem ser ricos e os ricos têm de passar pela experiência da pobreza para merecerem o bem-estar dos ricos. Valores que os tempos mudaram pouco. Há um reduto de valores talvez diferentes, talvez mais baseados numa justiça superior, numa classe média que tende também a desaparecer.
A Maltrapilha era um desses folhetins e o título diz tudo.
Mais tarde, numa adolescência já cheia de sonhos cor-de-rosa, a rádio continuou a desempenhar um papel importante no meu crescimento em direcção à vida. Era um tempo das cantigas e do cantores românticos: Sylvie Vartan, Françoise Hardy, Mireille Mathieu, Adamo, Percy Slege, Rita Pavone, Gianni Morandi, Roberto Carlos. E a moçambicana Natércia Barreto.
E para os mais talentosos havia uma Tia, na radio, que reunia sobrinhos que lhe escreviam e iam ao seu programa cantar. Eu limitava-me a escrever porque cantar ou declamar não era para mim. Mas ia às gravações dos programas a que hoje chamam “galas”. Conheci pessoalmente a Tia Zita, ou seja, a locutora Maria Adalgisa. 
Estamos pois nos primórdios dos programas que hoje enchem a programação da TV. Foi a Tia Zita que inventou tudo. As tias também já vêm de longe…
Obrigada Tia Zita!
Viva a Rádio!
 Maria , este post é para ti. Espero as fotos das tuas actuações na Tia Zita!
 Beijinhossss




domingo, 15 de janeiro de 2017

domingo....

É domingo e está frio.
 O meu "telefone" diz-me que os graus são seis,  mas as minhas mãos geladas de teclar sem abrigo estão para aí a quatro ou menos.
 As pontas dos dedos estão pedra!
Este maldito vício de tomar o pequeno almoço com joguinhos e jornais on line!!!!!
O fim de semana está no fim. Ainda não atinei com o ritmo da reforma. Não sei se é a preguiça que comanda a vida se é qualquer desígnio insondável como são todos o que se nos deparam. O que fazemos nós, encaixados que estamos, entre uma geração que, graças a Deus está cheia de força para rebater as nossas ideias e atitudes, e outra que não nos entende porque acha, com a ajuda da teoria da relatividade, que somos novos?
E nesse espaço, entre gerações, esse espaço que é nosso por direito absoluto, olhamos para baixo e para cima e não encaixamos em lugar algum.
O puzzle avaria à mínima tentativa de acertar o recorte....

sábado, 31 de dezembro de 2016

Ele há dias!

Há dias definitivamente simbólicos. Estes, hoje e amanhã, são-no por excelência. Há uma overdose de esperança que se baseia numa folha de calendário. Urge pois despir esses dias de obrigações que não têm. Não temos de obrigar o dia 1, já amanhã, a mudar o que tem vindo a sofrer a erosão do tempo ao longo da consagrada vida útil, 65 anos. (Falo de mim, claro!)
Gostava sobretudo de acreditar!
O meu pai dizia que acreditava em Deus e Deus acreditava nele. Eu ainda não cheguei a esse patamar de tu cá tu lá com os meus superiores....
Gostava muito de acreditar no que diz o refrão do Sérgio Godinho que preconiza um dia para ser o primeiro do resto da nossa vida!
Não deixa de ser verdade: todos os dias são os primeiros!
Gostava ainda de acreditar num conto que faz parte da minha antologia mental e que diz fundamentalmente que o muito pode ser partilhado, dividido, mas o pouco também. Podemos partilhar um jardim, um canteiro, uma flor ou, simplesmente, o cheiro....
"Mas todos terão igual!"

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Ser ou não ser, a velha questão!


Ser ou não ser pai ou mãe é uma decisão que cabe aos próprios. 

Ser avô ou avó não é! 
É uma benção que se aguarda, que se pede, todos os dias a todos os destinatários das preces.
No dia em que os filhos anunciam a chegada de um neto/neta (deixa logo de interessar o sexo, ou melhor, o género, como agora se diz) deixa logo de haver preferências e o lugar comum torna-se a maior verdade universal: é preciso é que venha bem!.
Nasce nesse dia o sonho de ter mais um na nossa vida e sermos mais um na vida de alguém.
E quando nos entregam o neto para passar umas horas connosco, o nosso coração sobe aos céus num voo de verdadeira felicidade. 
Os netos passam a ser o assunto maior das nossas conversas. 
Reaprendemos a brincar ao que eles querem: às "condidas", à bola ou ao faz de conta que estamos a comer, dormir.
A minha neta deu-me uma lição de ballet, há três dias. O meu corpo reagiu muito mal mas o meu coração reagiu muito bem, apesar de me ter sentido uma popota esvoaçante. 
Há as perguntas difíceis: avó, em que barriga é que tu nasceste? A tua mãe era minha tia?
E por aí fora....
Mas o tempo voa e um destes dias as escolhas deles serão outras e há que nos prepararmos para os ver crescer mais de longe, mantendo a força dos laços....