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quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Assim Vai O Mundo

Quem tem mais de cinquenta anos tem não só uma esperança acrescida de alguma imunidade à gripe, como também sabe que, antigamente, as salas de cinema exibiam um documentário informativo que dava pelo nome "Assim Vai o Mundo".
Depois das salas escurecerem, no fundo do ecrã "nascia" o mundo, que crescia e rodopiava num fundo de céu estrelado (Ou talvez não fosse?!),enquanto uma voz forte dizia, com a solenidade e a gravidade que os acontecimentos dignos de nota exigiam: "Assim vai o Mundo".
(Não sei se a minha memória está a atraiçoar-me. Seria assim como eu me lembro?)
Era uma espécie de telejornal, com moderada especulação e certamente visionado previamente pela censura. Mas isso eu não sabia.
Foi certamente nesses "filmes" que eu conheci a família Kennedy, com todo o glamour que a beleza de Jackie e dos homens da família imprimiam aos acontecimentos que protagonizaram.
Um dia, de manhã, a minha mãe ouviu na rádio que o Presidente Kennedy tinha sido assassinado e percebi pela aflição que o que tinha acontecido ia bem para lá da tragédia da morte de um homem. Era um Presidente. Não era só um homem. Mas isso eu não podia perceber, no meu mundo de dez anos.
"E agora, o que é que vai acontecer?", dizia a minha mãe aflita.
E certamente que todas as imagens que guardo desses momentos foram vistos nas salas de cinema, nos tais documentários que precediam o filme da tarde.
Ontem quando ouvi anunciar a morte do último Kennedy, veio à minha memória todo o filme das vidas dos membros do Clã Kennedy, tantas vezes marcado pela tragédia.
É mais uma referência do século vinte que desaparece.
Assim vai o mundo!Fotos da família Kennedy, na Revista Time

quinta-feira, 2 de julho de 2009

"A ardente perfeição da tua ausência", Sophia!

Eis que de um certo lugar se adivinha o mar, pois que se ouve, ao longe…
Sigamos, deste lugar, o rio que vai dar ao mar, a esse mar que abraça a alma de Sophia…
De hoje em diante, o Miradouro da Graça chamar-se-á Sophia, em nome da poesia, que é eterna, tão eterna que ultrapassa esta barreira a que chamamos tempo, vida ou outra qualquer designação que se espraie em azul, ou verde, a na mistura das duas tonalidades.
Desse mar de que Sophia não se saciou.
Tão eterna é a poesia que a poetisa prometeu voltar "para buscar os momentos" que não viveu "junto ao mar".O vazio desenhava desde sempre a forma do teu rosto
Todas as coisas serviram para nos ensinar
A ardente perfeição da tua ausência.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Geografia

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Recado ao Zeca

Pois é, Zeca. Não sei se morreste há vinte anos, há vinte dias, há mais ou menos tempo.
Sabes?, as tuas canções atravessadas de pensamento único, feito de um sentido de liberdade universal, dissolvem o tempo. Não sentimos o tempo, que ele está cheio, continua cheio, das tuas canções, da tua voz, da tua presença mais ou menos jovem, daquele teu ar inocente, indeciso entre a alegria de cantar e a responsabilidade de cantar.
Vejo hoje, nos registos dos dias, que partiste há vinte e dois anos.
Acho que não Zeca!
Acho que continuas por aqui, a ensinar, a dar-nos as verdadeiras lições da tua geografia da condição humana: nasce-se menino, com um certo destino, como o menino de Xepangara.
Essa foi a geografia que tu aprendeste na vida.
Os teus olhos olharam sempre de frente os meninos nascidos aquém dos direitos. Não só os meninos negros da África que também foi tua, pelo direito próprio de quem ama a liberdade, para além da morte, para além da vida.
"Quero-te mais do que à morte
Quero-te mais do que à vida"
Presença das formigas
Os teus meninos de oiro estão todos contigo a celebrar esse hino à liberdade!