domingo, 30 de setembro de 2007
Outono
Apesar da fama de serem quentes os tons do Outono, não consigo sair ilesa destes primeiros salpicos que, este ano, são grossos, fortes, zangados...
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
(...)
Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. Jorge de Sena
Não é só nos dias que correm que a violência faz história, embora nem toda a violência se iguale em desumanidade.
A desta notícia, por exemplo, que nem sequer é de hoje, é mais do que desumana e só volta às páginas de um jornal, porque os especialistas sabem bem a sua mais-valia.
Adoramos sofrer o mal alheio!
Como se o nosso nos não bastasse!
"Mea culpa", que até me incluo, ao empregar a primeira pessoa do plural.
Não podemos ser quiméricos e sonhar sonhos impossíveis: por mais que se procure o equilíbrio e pessoalmente todos o fazemos, eu creio, a ameaça do caos é permanente e não tem tempos nem modas. E, enquanto o mal é o dos outros, achamo-nos a salvo e permitimo-nos sofrer um bocadinho, por conta dos nossos pecados.
Só um bocadinho porque a estas crueldades ninguém se pode adaptar!
Uns enlouquecem...
Não é só nos dias que correm que a violência faz história, embora nem toda a violência se iguale em desumanidade.
A desta notícia, por exemplo, que nem sequer é de hoje, é mais do que desumana e só volta às páginas de um jornal, porque os especialistas sabem bem a sua mais-valia.
Adoramos sofrer o mal alheio!
Como se o nosso nos não bastasse!
"Mea culpa", que até me incluo, ao empregar a primeira pessoa do plural.
Não podemos ser quiméricos e sonhar sonhos impossíveis: por mais que se procure o equilíbrio e pessoalmente todos o fazemos, eu creio, a ameaça do caos é permanente e não tem tempos nem modas. E, enquanto o mal é o dos outros, achamo-nos a salvo e permitimo-nos sofrer um bocadinho, por conta dos nossos pecados.
Só um bocadinho porque a estas crueldades ninguém se pode adaptar!
Uns enlouquecem...
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Curso de Avó
Quando eu era pequena, não queria ser como a minha avó, porque eu queria crescer e não via na minha avó uma pessoa crescida. Via, isso sim, uma pessoa a transbordar de infância A infância toda da minha avó estava ali, à nossa disposição, nas palavras simples, no riso, na capacidade de se espantar e até nas zangas. Eu sabia que, se ela tivesse pernas para isso, correria atrás de nós, à volta dos "canteiros" de couves e alfaces, subiria às laranjeiras e tangerineiras que havia no quintal. Quando nós, os miúdos nos zangávamos, corríamos no quintal atrás uns dos outros até a zanga se cansar e ela fazia "claque", da porta da cozinha, do alto das escadas que não conseguia descer porque "tinha as pernas tolhidas". Tomava partido com ar maroto. Disse sempre que tinha um neto preferido, o único rapaz, mas eu sempre achei que todos éramos preferidos, cada um pela sua razão especial.
Estas lembranças assaltaram-me hoje, trazidas por outras lembranças: as da Laura.
E, de repente, como o outro da maçã que o acordou da sesta, obrigando-o a descobrir uma lei qualquer da Física, percebi que para ser avó "à séria" é preciso não arrecadar as infâncias em sótãos inacessíveis. Os mistérios da infância têm de estar sempre à mão!
Obrigada, Laura, pela lição!
O que também ajuda muito é achar que os desenhos das crianças são perfeitos retratos da realidade. Esta dica vem num livro que todos devíamos ler, pelo menos cinco vezes na vida: O Principezinho!
O maior mistério que trago de criança é o da telefonia. Como é que gente gorda como a Tia Zita cabia no aparelho mais pequeno do que a celha onde se recolhia a água dos banhos?
Estas lembranças assaltaram-me hoje, trazidas por outras lembranças: as da Laura.
E, de repente, como o outro da maçã que o acordou da sesta, obrigando-o a descobrir uma lei qualquer da Física, percebi que para ser avó "à séria" é preciso não arrecadar as infâncias em sótãos inacessíveis. Os mistérios da infância têm de estar sempre à mão!
Obrigada, Laura, pela lição!
O que também ajuda muito é achar que os desenhos das crianças são perfeitos retratos da realidade. Esta dica vem num livro que todos devíamos ler, pelo menos cinco vezes na vida: O Principezinho!O maior mistério que trago de criança é o da telefonia. Como é que gente gorda como a Tia Zita cabia no aparelho mais pequeno do que a celha onde se recolhia a água dos banhos?
domingo, 23 de setembro de 2007
Dizer sem palavras
Marcel Marceu morreu hoje e, com ele, morreu um pedaço de todos os que ficaram algum dia presos às palavras que o corpo inteiro inventava. Não se tratava, nem trata, de um silêncio mudo, mas de um silêncio eloquente. Tratava-se de fazer chegar aos outros o conceito inteiro que a palavra pode desviar do seu sentido primeiro.
No meu imaginário o mimo morreu num palco universal, acenando um adeus à humanidade, apontando para a sua vida, legado de dignidade e coragem. Já deitado, ter-se-á levantado para agarrar um último sorriso. Então, o corpo educado para dizer, ter-se-á remetido à serenidade.
"Antes de dizer qualquer coisa é preciso ter a certeza de que o silêncio não é mais importante." Marcel Marceau
No meu imaginário o mimo morreu num palco universal, acenando um adeus à humanidade, apontando para a sua vida, legado de dignidade e coragem. Já deitado, ter-se-á levantado para agarrar um último sorriso. Então, o corpo educado para dizer, ter-se-á remetido à serenidade.
"Antes de dizer qualquer coisa é preciso ter a certeza de que o silêncio não é mais importante." Marcel Marceau
sábado, 22 de setembro de 2007
Brilhos de Outono
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
um-ááá´! um-áááá!
Há vinte e nove anos, nesta mesma hora, estava eu a contar os dedinhos dos pés e das mãos, a maravilhar-me, uma vez mais, com o milagre da vida tão redondinho, tão lindo!
Era domingo e a família Mendonça Santos estava reunida num almoço, num Restaurante em Telheiras. Eu faltei, por esta boa razão.
O Verão tinha resolvido entrar a queimar pelo Setembro dentro: quarenta graus!
Ao fim do dia, começaram a chegar os avós, os tios, os primos e o "mano", que olhou para o recém-chegado com ar desconfiado.
Foi um daqueles dias em cheio em que houve de tudo, até um ralhete da enfermeira pelo corropio promovido pela publicidade, feita pelo pai, à perfeição do pimpolho!!!
No dia seguinte, aí foi ele para o Sporting, claro!
Parabéns, filho!
Era domingo e a família Mendonça Santos estava reunida num almoço, num Restaurante em Telheiras. Eu faltei, por esta boa razão.
O Verão tinha resolvido entrar a queimar pelo Setembro dentro: quarenta graus!
Ao fim do dia, começaram a chegar os avós, os tios, os primos e o "mano", que olhou para o recém-chegado com ar desconfiado.
Foi um daqueles dias em cheio em que houve de tudo, até um ralhete da enfermeira pelo corropio promovido pela publicidade, feita pelo pai, à perfeição do pimpolho!!!
No dia seguinte, aí foi ele para o Sporting, claro!
Parabéns, filho!
Mais "Dez Mais" cá de casa...
A propósito de uma corrente de “não sei o quê”, pede-me a dona do blog cujo título se inspira nas Aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira, que escreva qualquer coisa sobre os dez livros que de algum modo marcaram a minha vida.
Ah! Mas a que título apareço eu aqui? Penso que é por ser casado com a autora e assim ser mais fácil convencer-me a fazê-lo.
Pois bem, que escolher? É uma tarefa muito difícil até porque, no dealbar dos sessenta anos, li muitos e variados livros, sobre muitos e variados temas, o que torna a selecção muito mais difícil. Assim, e sem uma certeza de ser a escolha mais correcta, falarei resumidamente de alguns.
O primeiro de todos: TINTIN AU CONGO de HERGÉ, que é a segunda história do repórter belga Tintin. Este livro, que ainda guardo religiosamente e já bastante danificado, era o livro que o meu saudoso pai me lia, a mim e à minha irmã, quando eu tinha aí uns quatro a cinco anos, cada um de nós encavalitado em cada uma das suas pernas, ao fim da tarde, em Angola, bem no interior junto à fronteira com o Katanga. O meu pai lia e contava uma história a propósito de cada um dos quadrinhos que o livro tinha e demorava tanto tempo, que só dava para uma página por dia, para fazer render o tempo, o livro e a expectativa do dia seguinte;
O segundo livro poderá ser: OS CINCO NA ILHA DO TESOURO de ENID BLYTON, que me cativou decididamente para o gosto da leitura e dos livros dos quais não consigo prescindir e que faz com que a nossa Biblioteca tenha mais de cinco mil volumes! Claro que comprei a colecção toda e a devorei quando ainda andava na Escola Primária! O curioso é que já depois de casado e com os meus dois filhos, resolvi relê-los e...gostei!
O terceiro livro: O CARDEAL de HENRY MORTON ROBINSON, que comprei na Feira do Livro no Parque Eduardo VII, acto esse fotografado e publicado no jornal Diário Popular, pelo repórter fotográfico Judah Benoliel. Um livro intenso e cativante ainda com uma enorme actualidade e que li durante os meus teens.
Em quarto lugar porei: O DESPERTAR DOS MÁGICOS de JACQUES BERGIER e LOUIS PAWELLS, livro excepcional, de interrogações sobre o que somos, para onde poderemos ir mas, sobretudo, terrivelmente intrigante e até, de certa maneira, incómodo.
Em quinto lugar vou colocar: O CATIVEIRO DA VERDADE de A.J. CRONIN, uma obra excepcional onde a defesa e a procura da verdade nos são contadas de uma maneira simples, comovente e verdadeira. Outra obra com uma actualidade imensa.
O número seis poderá corresponder a: A UM DEUS DESCONHECIDO de JOHN STEINBECK. Deste livro apenas direi que foi o melhor livro que li em toda a minha vida! Maravilhoso! Sem palavras...
Para o lugar número sete vou escolher: ADMIRÁVEL MUNDO NOVO de ALDOUS HUXLEY , fantástica obra de ficção científica que cada vez mais se confunde com a nossa realidade e que é um enorme grito de esperança para toda a Humanidade.
O oitavo lugar pertencerá a: A PESTE de ALBERT CAMUS. Apesar do tema, é um livro muito bem escrito e com um estilo muito próprio e diferente do que estava habituado. De facto, juntamente com A Queda e O Estrangeiro, são obras a não perder.
Na nona posição: EXODUS de LEON URIS. Foi seguramente um dos livros que mais me comoveu pela sua grande intensidade dramática e história fascinante. Pode ser que se considere Uris um escritor alinhado com a causa judaica mas, que escreve muito e bem, não tenho qualquer dúvida.
No décimo lugar vou colocar: A BÍBLIA sem autor confesso. Eu, que até nem sou religioso ou crente. Mas que é inquestionável não só o interesse didáctico como lúdico das inúmeras histórias contadas neste belo livro.
E assim já nomeei dez obras. Tenho muita pena de não poder escolher muitas mais, pois elas são tantas e tantas mas...
Como se pode perceber, ando a mendigar colaboração para as correntes!
É que até pode dar sorte e, como dizem as outras, se realize algum desejo!!!
Obrigada, Jorge!
Ah! Mas a que título apareço eu aqui? Penso que é por ser casado com a autora e assim ser mais fácil convencer-me a fazê-lo.
Pois bem, que escolher? É uma tarefa muito difícil até porque, no dealbar dos sessenta anos, li muitos e variados livros, sobre muitos e variados temas, o que torna a selecção muito mais difícil. Assim, e sem uma certeza de ser a escolha mais correcta, falarei resumidamente de alguns.
O primeiro de todos: TINTIN AU CONGO de HERGÉ, que é a segunda história do repórter belga Tintin. Este livro, que ainda guardo religiosamente e já bastante danificado, era o livro que o meu saudoso pai me lia, a mim e à minha irmã, quando eu tinha aí uns quatro a cinco anos, cada um de nós encavalitado em cada uma das suas pernas, ao fim da tarde, em Angola, bem no interior junto à fronteira com o Katanga. O meu pai lia e contava uma história a propósito de cada um dos quadrinhos que o livro tinha e demorava tanto tempo, que só dava para uma página por dia, para fazer render o tempo, o livro e a expectativa do dia seguinte;
O segundo livro poderá ser: OS CINCO NA ILHA DO TESOURO de ENID BLYTON, que me cativou decididamente para o gosto da leitura e dos livros dos quais não consigo prescindir e que faz com que a nossa Biblioteca tenha mais de cinco mil volumes! Claro que comprei a colecção toda e a devorei quando ainda andava na Escola Primária! O curioso é que já depois de casado e com os meus dois filhos, resolvi relê-los e...gostei!
O terceiro livro: O CARDEAL de HENRY MORTON ROBINSON, que comprei na Feira do Livro no Parque Eduardo VII, acto esse fotografado e publicado no jornal Diário Popular, pelo repórter fotográfico Judah Benoliel. Um livro intenso e cativante ainda com uma enorme actualidade e que li durante os meus teens.
Em quarto lugar porei: O DESPERTAR DOS MÁGICOS de JACQUES BERGIER e LOUIS PAWELLS, livro excepcional, de interrogações sobre o que somos, para onde poderemos ir mas, sobretudo, terrivelmente intrigante e até, de certa maneira, incómodo.
Em quinto lugar vou colocar: O CATIVEIRO DA VERDADE de A.J. CRONIN, uma obra excepcional onde a defesa e a procura da verdade nos são contadas de uma maneira simples, comovente e verdadeira. Outra obra com uma actualidade imensa.
O número seis poderá corresponder a: A UM DEUS DESCONHECIDO de JOHN STEINBECK. Deste livro apenas direi que foi o melhor livro que li em toda a minha vida! Maravilhoso! Sem palavras...
Para o lugar número sete vou escolher: ADMIRÁVEL MUNDO NOVO de ALDOUS HUXLEY , fantástica obra de ficção científica que cada vez mais se confunde com a nossa realidade e que é um enorme grito de esperança para toda a Humanidade.
O oitavo lugar pertencerá a: A PESTE de ALBERT CAMUS. Apesar do tema, é um livro muito bem escrito e com um estilo muito próprio e diferente do que estava habituado. De facto, juntamente com A Queda e O Estrangeiro, são obras a não perder.
Na nona posição: EXODUS de LEON URIS. Foi seguramente um dos livros que mais me comoveu pela sua grande intensidade dramática e história fascinante. Pode ser que se considere Uris um escritor alinhado com a causa judaica mas, que escreve muito e bem, não tenho qualquer dúvida.
No décimo lugar vou colocar: A BÍBLIA sem autor confesso. Eu, que até nem sou religioso ou crente. Mas que é inquestionável não só o interesse didáctico como lúdico das inúmeras histórias contadas neste belo livro.
E assim já nomeei dez obras. Tenho muita pena de não poder escolher muitas mais, pois elas são tantas e tantas mas...
É que até pode dar sorte e, como dizem as outras, se realize algum desejo!!!
Obrigada, Jorge!
domingo, 16 de setembro de 2007
Janela com vista sobre os Livros
Boa tarde.
Dez livros Madalena, tantos livros para uma vida que é tão curta, pois estamos mais tempo mortos do que vivos!
Dez livros para eu dizer e logo os que marcaram, deixando aqui a nódoa negra de uma agressão ao meu sentir, ali a carícia da companhia amiga nos dias em que não havia quem!
Comecei a ler, miúdo em Angola, livros que a minha mãe venderia a peso, quando saímos e de que hoje recordo farrapos de um saber demasiado além da minha idade: o antropólogo Redinha, imagine-se, que folheei sem compreender, menino branco em terra estranha. As Memórias e Trabalhos da Minha Vida, que o Norton de Matos escrevera e o meu avô Leonel comprara, o homem que queria mudar para Nova Lisboa a capital de Angola.
O que dá ter catorze anos descuidadamente analfabetos e ansioso por não o ser. Li já nem sei o quê, A Cabana do Pai Tomás, sim, o Grishka e o seu Urso de nem sei quem.
Depois Viseu. O Luís de Miranda Rocha, poeta, mais velho do que todos nós no Liceu, que me iniciou no Camus e através dele no Sartre e por via dos dois no existencialismo e na visceral raiva ao burguês filisteu e argentário, inculto e indiferente. Li muito, orgulhoso de ler e de estar triste com o que sentia lendo.
Li no Gilbert Cesbron, que ninguém hoje sabe já quem é, a história de um miúdo de rua perdido por sítios escusos, os «Cães Perdidos sem Coleira». O momento em que o gaiato já com a carne ansiosa a chamá-lo, sente, abraçado por uma fêmea de aluguer, um corpo quente, carnudo e macio, como se a saltar debaixo da blusa, correspondeu ao meu saber como seria uma mulher.
Lia, lia, lia, incansável, o que vinha nas carrinhas da Gulbenkian, coisas que nem entendia nem poderia compreender. Soube que o Herberto Hélder trabalhou ali, distribuindo livros a adolescentes como eu. Descobri a Aparição e com ele o Vergílio Ferreira, o T. S. Eliot, impossível de traduzir, a Fenomenologia do Espírito do Husserl. Morávamos ao lado do cemitério. A leitura era uma forma de estar-se vivo.
Chegou enfim a Faculdade e com ela a miséria económica de ter de ler por empréstimo e nem vontade ter de ler. Imaginei todo o Pessoa, reescrevendo-o para além do que dele li. Inventava literatura. Apareceu-me o Rumor Branco do Almeida Faria, que mais tarde deixou de escrever coisa que valesse a pena ler, as vulgatas marxistas, que eu tenho os quarenta e cinco volumes da Obra Completa do Lenine, ainda com o prefácio do Roger Garaudy. Não sei se descobri quem era o Ruben A., mas li poesia que a Moraes editava graças ao dinheiro amigo do António Alçada Baptista.
E depois veio o turbilhão, tudo o que marcou a reforma e a contra-reforma do meu ser. Imaginem-me a ler as Bases Neuronais da Vida Psíquica do Simões da Fonseca aos vinte anos, a traduzir do italiano sem saber italiano o Giuscibernetica do Mario Losano. Livros de Direito que deram a volta ao mundo na minha cabeça como o Antropologia Existencialismo e Direito do Baptista Machado, O Homem sem Qualidades do Musil, o Joaquim Bação Leal, morto na Guerra em África, esquecido hoje por todos.
E as mulheres, pela escrita, pela feminilidade do escrever, pelas quais me apaixono e a quem sou fiel, como a Ondina Braga, a Irene Lisboa, a Dulce Cardoso, a Dalila Lello Pereira da Costa.
E aqueles a quem tenho uma raiva inaudita sem saber porquê, como o Lobo Antunes, o Miguel Sousa Tavares, e todos os que escrevem Codex's e esoterismos mil, sim, que eu venho do tempo em que li o Guénon e o Julius Evola e até mesmo o Jacques Bergier e nada mais há a ler quanto ao Amanhã dos Mágicos.
Como eu gostava de saber alemão para ler em alemão o Thomas Mann, e todas as línguas do mundo para ler o Ezra Pound e com ele endoidecer.
Em frente a mim o Kakuzo Okakura, «O Livro do Chá», e com ele o taoismo tranquilo desta tarde, lá dentro, no lugar onde deveria estar uma mesa de cabeceira no catre onde durmo, o Wenceslau de Moraes, morto no exílio de si, o Manuel Laranjeira, morto com uma bala na cabeça.
E o Jesué Pinharanda Gomes, e atrás dele toda a filosofia da saudade! E a Carolina Michaelis de Vasconcelos e com ela todo o galaico-português a doçura do ser que nos distingue dos ossudos de Castela!
Madalena, dez livros? Mil livros na Biblioteca Labiríntica do Borges, cego e genial, a infinita biblioteca do existir.
jab
Dez livros Madalena, tantos livros para uma vida que é tão curta, pois estamos mais tempo mortos do que vivos!
Dez livros para eu dizer e logo os que marcaram, deixando aqui a nódoa negra de uma agressão ao meu sentir, ali a carícia da companhia amiga nos dias em que não havia quem!
Comecei a ler, miúdo em Angola, livros que a minha mãe venderia a peso, quando saímos e de que hoje recordo farrapos de um saber demasiado além da minha idade: o antropólogo Redinha, imagine-se, que folheei sem compreender, menino branco em terra estranha. As Memórias e Trabalhos da Minha Vida, que o Norton de Matos escrevera e o meu avô Leonel comprara, o homem que queria mudar para Nova Lisboa a capital de Angola.
O que dá ter catorze anos descuidadamente analfabetos e ansioso por não o ser. Li já nem sei o quê, A Cabana do Pai Tomás, sim, o Grishka e o seu Urso de nem sei quem.
Depois Viseu. O Luís de Miranda Rocha, poeta, mais velho do que todos nós no Liceu, que me iniciou no Camus e através dele no Sartre e por via dos dois no existencialismo e na visceral raiva ao burguês filisteu e argentário, inculto e indiferente. Li muito, orgulhoso de ler e de estar triste com o que sentia lendo.
Li no Gilbert Cesbron, que ninguém hoje sabe já quem é, a história de um miúdo de rua perdido por sítios escusos, os «Cães Perdidos sem Coleira». O momento em que o gaiato já com a carne ansiosa a chamá-lo, sente, abraçado por uma fêmea de aluguer, um corpo quente, carnudo e macio, como se a saltar debaixo da blusa, correspondeu ao meu saber como seria uma mulher.
Lia, lia, lia, incansável, o que vinha nas carrinhas da Gulbenkian, coisas que nem entendia nem poderia compreender. Soube que o Herberto Hélder trabalhou ali, distribuindo livros a adolescentes como eu. Descobri a Aparição e com ele o Vergílio Ferreira, o T. S. Eliot, impossível de traduzir, a Fenomenologia do Espírito do Husserl. Morávamos ao lado do cemitério. A leitura era uma forma de estar-se vivo.
Chegou enfim a Faculdade e com ela a miséria económica de ter de ler por empréstimo e nem vontade ter de ler. Imaginei todo o Pessoa, reescrevendo-o para além do que dele li. Inventava literatura. Apareceu-me o Rumor Branco do Almeida Faria, que mais tarde deixou de escrever coisa que valesse a pena ler, as vulgatas marxistas, que eu tenho os quarenta e cinco volumes da Obra Completa do Lenine, ainda com o prefácio do Roger Garaudy. Não sei se descobri quem era o Ruben A., mas li poesia que a Moraes editava graças ao dinheiro amigo do António Alçada Baptista.
E depois veio o turbilhão, tudo o que marcou a reforma e a contra-reforma do meu ser. Imaginem-me a ler as Bases Neuronais da Vida Psíquica do Simões da Fonseca aos vinte anos, a traduzir do italiano sem saber italiano o Giuscibernetica do Mario Losano. Livros de Direito que deram a volta ao mundo na minha cabeça como o Antropologia Existencialismo e Direito do Baptista Machado, O Homem sem Qualidades do Musil, o Joaquim Bação Leal, morto na Guerra em África, esquecido hoje por todos.
E as mulheres, pela escrita, pela feminilidade do escrever, pelas quais me apaixono e a quem sou fiel, como a Ondina Braga, a Irene Lisboa, a Dulce Cardoso, a Dalila Lello Pereira da Costa.
E aqueles a quem tenho uma raiva inaudita sem saber porquê, como o Lobo Antunes, o Miguel Sousa Tavares, e todos os que escrevem Codex's e esoterismos mil, sim, que eu venho do tempo em que li o Guénon e o Julius Evola e até mesmo o Jacques Bergier e nada mais há a ler quanto ao Amanhã dos Mágicos.
Como eu gostava de saber alemão para ler em alemão o Thomas Mann, e todas as línguas do mundo para ler o Ezra Pound e com ele endoidecer.
Em frente a mim o Kakuzo Okakura, «O Livro do Chá», e com ele o taoismo tranquilo desta tarde, lá dentro, no lugar onde deveria estar uma mesa de cabeceira no catre onde durmo, o Wenceslau de Moraes, morto no exílio de si, o Manuel Laranjeira, morto com uma bala na cabeça.
E o Jesué Pinharanda Gomes, e atrás dele toda a filosofia da saudade! E a Carolina Michaelis de Vasconcelos e com ela todo o galaico-português a doçura do ser que nos distingue dos ossudos de Castela!
Madalena, dez livros? Mil livros na Biblioteca Labiríntica do Borges, cego e genial, a infinita biblioteca do existir.
jab
A corrente: o elo que veio da Janela do Ocaso
Espreitei a Janela do Ocaso, avisada da existência de novas vistas sobre a vida, pelo Agente Especial, agente este que não tem sábados, nem domingos, nem oito horas de sono, o que leva, digo eu, a que falhe muitas vezes com a informação que se espera que não falhe...
(Dizem pois que o Tecnorati é muito bom, mas eu tenho as minhas razões de queixa que agora não vêm ao caso!)
Deixei então, no parapeito da janela, um recado ao JAB, um convite à participação na Corrente dos Dez Livros.
Deixei a Aldeia, fui à Cidade, fui para lá da Cidade e voltei à noite, muito noite já, cansada da festa de anos dos miúdos, da conversa dos graúdos, sobre os temas do costume, e das bichas intermináveis da ponte.
Mas nem mesmo o cansaço me convenceu a não abrir a caixa do correio. E, tal como faço com o correio real, antes de rasgar o envelope, passo os olhos pelo remetente, organizando todo o correio por ordem de interesse: as cartas do Banco ficam para o fim, depois mesmo das facturas da EDP e da PT, no correio real; neste outro, ficam o "FWD's" para o fim.
Tanta conversa mole para dizer que abri então a "carta" do JAB, com a luxuosíssima vista sobre os livros. É com autorização do autor que vou publicar já a seguir.
Obrigada, JAB!
(Dizem pois que o Tecnorati é muito bom, mas eu tenho as minhas razões de queixa que agora não vêm ao caso!)
Deixei então, no parapeito da janela, um recado ao JAB, um convite à participação na Corrente dos Dez Livros.
Deixei a Aldeia, fui à Cidade, fui para lá da Cidade e voltei à noite, muito noite já, cansada da festa de anos dos miúdos, da conversa dos graúdos, sobre os temas do costume, e das bichas intermináveis da ponte.
Mas nem mesmo o cansaço me convenceu a não abrir a caixa do correio. E, tal como faço com o correio real, antes de rasgar o envelope, passo os olhos pelo remetente, organizando todo o correio por ordem de interesse: as cartas do Banco ficam para o fim, depois mesmo das facturas da EDP e da PT, no correio real; neste outro, ficam o "FWD's" para o fim.
Tanta conversa mole para dizer que abri então a "carta" do JAB, com a luxuosíssima vista sobre os livros. É com autorização do autor que vou publicar já a seguir.
Obrigada, JAB!
sábado, 15 de setembro de 2007
Dos livros, os que marcaram e os que não.

Dos livros, os que marcaram e os que não. É o que diz a IO, a Chuinga, para animar a malta que gosta destas coisas de correntes. Eu gosto!
Vamos por fases! A primeira infância, os tenros anos. Tal como tenho lido por aí, não penso que os livros tenham mudado a minha vida, mas todos, todos, mudaram o meu pensamento. Alguns, muito! Alguns, pouco!
O primeiro livro que me mudou por dentro foi, sem dúvida, Sem Família, de Hector Malot. Aquele medo que eu tinha de perder a minha mãe estava lá. Eu não era o único ser no mundo, pelo menos havia mais como eu, no mundo dos livros, a sentir que o pior que pode haver na vida é não ter mãe. É evidente que estes medos só me assaltavam para lá dos muros do quintal da minha avó, porque, aí, eu estava no Paraíso.
(Na confusão inocente dos poucos anos, eu tinha arranjado uma solução para o caso de perder a minha mãe: eu desaparecia também. Ali, para os lados da Pinheiro Chagas, que nem sequer era muito longe...)
Este livro revelou-me a possibilidade de uma sobrevivência. Difícil, claro!, mas mesmo assim, sobrevivência. Depois havia o Futuro que era o Paraíso, outro Paraíso, lá longe! Era outra vez o quintal da minha avó, em grande!
O segundo e o terceiro livros vêm agarrados à mesma memória e ao mesmo tempo: os Poemas de Reinaldo Ferreira, livro que me ensinou tudo o que era preciso saber sobre poesia. Literalmente! "Não ponho esperança em mais nada e se puser..."
O terceiro livro, o tal que vem agarrado ao mesmo tempo dos poemas de Reinaldo Ferreira é o Principezinho. Li-o em francês e tive, mais tarde a sorte de o ler, vezes e vezes sem conta, em bom português, numa tradução muito boa, que eu acho que já não está a ser publicada. A grande diferença é que uma falava em "criar laços" e a outra não.
Numa altura em que a vida estava toda por descobrir, li então o primeiro livro de gente crescida: Olhai os lírios do campo, que alertou o meu pensamento para a necessidade de seguir sempre o ideal e que a confusão de valores pode comprometer o sentido de uma vida inteira.
Quando os estudos me impunham uma literatura estrangeira eu refugiava o meu prazer de ler na língua portuguesa de aquém e além mar: Dona Flor e os Seus Dois Maridos divertiu-me imenso (o embrião da second Life); O Meu Pé de Laranja Lima comoveu-me imenso (quando não há gente, há uma planta, um arbusto, uma flor!); O Primo Basílio chocou-me imenso (como é que se pode morrer às mãos da chantagem?) e por aí fora. Mas onde as minhas emoções serenaram foi mesmo na Cidade e as Serras, o livro que o meu avô lia e relia, vezes sem conta, sem eu perceber porquê. Depois deste, veio o Torga, e o seu Diário, ou melhor, o Torga todo! Depois do Torga, o Mia Couto, que me devolveu, através dos pequenos contos do Cronicando, as minhas raízes esquecidas, adormecidas, como a outra que se picou no fuso.
(O post há-de continuar com os que não...)
O Sol na minha rua
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
Don't Forget To Remember Me
Não se esqueçam de me lembrar do murro do Scolari, das tragédias dos outros, a que assistimos com o terror e a piedade que Aristóteles preconizou para o espectador da tragédia grega, que nos fazem sentirmo-nos poupados a uma dor sem par, por um lado, e nos oferecem medidas do valor da vida humana, até hoje nunca experimentados, por outro, do preço dos jogadores, dos primeiros dias da escola de uma Princesa...
E, já agora, do H5N1 e H5N2, que chegaram ao Ribatejo, ou seja, chegaram a Portugal!!!
E, já agora, do H5N1 e H5N2, que chegaram ao Ribatejo, ou seja, chegaram a Portugal!!!
terça-feira, 11 de setembro de 2007
"Primeiros Conselhos do Outono"
Antero de Quental é um nome maior no pensamento português.
Para além da poesia, deixou-nos um legado de intervenção social superiormente lúcida.
O conteúdo desta vida excede o tempo que o poeta concedeu a si mesmo. A vida rebentou pelas costuras que cosem os seres comuns e os remendam à manta universal.
Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da ilusão!
Mais valera a tua alma visionária,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,
(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> - Antero de Quental
Poeta, no dia de hoje, século e tal depois, o mundo continua hostil!
No intervalo da fita pesada que nos é oferecida, deixemos embalar o nosso pequenino desejo de felicidade pessoal ( e talvez transmissível, quem sabe?) ao som do Love Me Do dos Beatles, uma cantiga com 45 anos.
Longe, portanto, da idade da razão.
Para além da poesia, deixou-nos um legado de intervenção social superiormente lúcida.
O conteúdo desta vida excede o tempo que o poeta concedeu a si mesmo. A vida rebentou pelas costuras que cosem os seres comuns e os remendam à manta universal.
Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da Natureza:
- Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,
Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel devesa,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da ilusão!
Mais valera a tua alma visionária,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,
(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!> - Antero de Quental
Poeta, no dia de hoje, século e tal depois, o mundo continua hostil!
No intervalo da fita pesada que nos é oferecida, deixemos embalar o nosso pequenino desejo de felicidade pessoal ( e talvez transmissível, quem sabe?) ao som do Love Me Do dos Beatles, uma cantiga com 45 anos.
Longe, portanto, da idade da razão.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Cento e catorze velas
Todos gostamos de fazer anos, quando somos crianças. Há uma expectativa de festa, de atenção e o desejo cumprido da vida avançar, passo a passo, aniversário a aniversário, rumo aos sonhos.
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto. (Álvaro de Campos)
Depois, chega uma altura em que gostamos do dia dos anos, mas não o desejamos tanto como em criança. Queremos parar o tempo! É o tempo do "Com que então caiu na asneira?"
Depois, volta-se a gostar do dia dos anos. É a prova de vida. É uma espécie de vitória! Além disso, há algum mimo extra, nesse dia, e os efeitos do tempos, "assim-como-assim" já chegaram. Não adianta muito "não fazer anos". "Ainda se os desfizesse...", como também diz o poeta. Mas há sempre aquela hipótese de não se parecer ter a idade que se tem.
Sobre um centésimo décimo-quarto aniversário é que não me atrevo a filosofar.
Há quem os faça e é cá, em Portugal!
Parabéns, Maria de Jesus!
Vamos lá soprar estas velas todas, enquanto lhe cantamos os parabéns!
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto. (Álvaro de Campos)
Depois, chega uma altura em que gostamos do dia dos anos, mas não o desejamos tanto como em criança. Queremos parar o tempo! É o tempo do "Com que então caiu na asneira?"
Depois, volta-se a gostar do dia dos anos. É a prova de vida. É uma espécie de vitória! Além disso, há algum mimo extra, nesse dia, e os efeitos do tempos, "assim-como-assim" já chegaram. Não adianta muito "não fazer anos". "Ainda se os desfizesse...", como também diz o poeta. Mas há sempre aquela hipótese de não se parecer ter a idade que se tem.
Sobre um centésimo décimo-quarto aniversário é que não me atrevo a filosofar.
Há quem os faça e é cá, em Portugal!
Parabéns, Maria de Jesus!
domingo, 9 de setembro de 2007
Sabedorias
"...ainda acontece como o meu irmão mais velho, que tem dez anos, aburguesou-se, acomodou-se e agora até acha que os adultos têm razão."
"Parece impossível que em 1969 não haja ainda uma Federação do Berlinde!"
(criança Zip, interpretada por Raul Solnado, RTP Memória)

imagem daqui
Vale a pena espreitar a RTP Memória. Estão a passar, diz quem viu, um dos melhores programas de sempre da nossa televisão.
"Parece impossível que em 1969 não haja ainda uma Federação do Berlinde!"
(criança Zip, interpretada por Raul Solnado, RTP Memória)

imagem daqui
Vale a pena espreitar a RTP Memória. Estão a passar, diz quem viu, um dos melhores programas de sempre da nossa televisão.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Regresso às aulas
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
Encontrar
Encontrar "alguém" é sempre gratificante. Neste caso, não se trata de um encontro real! Nem mesmo de um encontro virtual.
O que eu encontrei, há pouco, foi um blog, com uma extensa referência a alguém que eu conheci, simplesmente, porque "lhe" entrei na família, longe da mesma terra, dele e minha, Moçambique: o Jaime! Eu não conheci o Professor Doutor, eu conheci o Jaime, o primo direito da minha sogra, por quem toda a família nutria um carinho imenso.
Transcrevo, com orgulho, a nota biográfica que encontrei aqui, no blog Fauna Bravia, Caça e Caçadores de Moçambique .
Ao Celestino, o meu obrigada, pela memória bonita que trouxe à tona!
“Nasceu em Lourenço Marques, em 18 de Agosto de 1920, nesta cidade tendo feito os estudos primário e secundário, depois do que esteve em Portugal durante o período de 1940-1946, ali se tendo licenciado em Medicina Veterinária.
Regressado à sua terra natal, após a formatura, nela actuou sempre, integrado em diversas instituições do Estado (Serviços de Veterinária e Missão de Combate às Tripanossomíases), onde atingiu os escalões de médico-veterinário-chefe e de investigador.
Após a instituição em Moçambique do ensino universitário, decidiu abraçar esta carreira, durante ela se tendo doutorado em Medicina Veterinária e ascendido à posição de professor catedrático, em que actualmente se encontra.
Durante a sua já longa actividade profissional, subscreveu para cima de 250 trabalhos de natureza científica, além de mais de uma centena de artigos de divulgação técnica e de grande número de escritos jornalísticos, parte dos quais sob o pseudónimo de “Moçam-Said”.
Mercê da sua acção, durante para cima de vinte anos, estreitamente relacionada com os problemas da mosca tsé-tsé e da fauna bravia, votou ao estudo desta a maior das atenções, preocupando-se sobremaneira com as questões da conservação da Natureza.
O presente trabalho é, em parte, fruto dessa sua dedicação aos problemas da fauna selvagem.”

Este é o Jaime que eu encontrei e que eu recordo!
(Talvez um bocadinho mais velho!)
Deixei, como comentário, essa recordação, um pouco mais detalhada: o Jaime era brilhante na sua capacidade de entender os outros. Era o exemplo da verdadeira tolerância: generosa e inteligente!
O que eu encontrei, há pouco, foi um blog, com uma extensa referência a alguém que eu conheci, simplesmente, porque "lhe" entrei na família, longe da mesma terra, dele e minha, Moçambique: o Jaime! Eu não conheci o Professor Doutor, eu conheci o Jaime, o primo direito da minha sogra, por quem toda a família nutria um carinho imenso.
Transcrevo, com orgulho, a nota biográfica que encontrei aqui, no blog Fauna Bravia, Caça e Caçadores de Moçambique .
Ao Celestino, o meu obrigada, pela memória bonita que trouxe à tona!
“Nasceu em Lourenço Marques, em 18 de Agosto de 1920, nesta cidade tendo feito os estudos primário e secundário, depois do que esteve em Portugal durante o período de 1940-1946, ali se tendo licenciado em Medicina Veterinária.
Regressado à sua terra natal, após a formatura, nela actuou sempre, integrado em diversas instituições do Estado (Serviços de Veterinária e Missão de Combate às Tripanossomíases), onde atingiu os escalões de médico-veterinário-chefe e de investigador.
Após a instituição em Moçambique do ensino universitário, decidiu abraçar esta carreira, durante ela se tendo doutorado em Medicina Veterinária e ascendido à posição de professor catedrático, em que actualmente se encontra.
Durante a sua já longa actividade profissional, subscreveu para cima de 250 trabalhos de natureza científica, além de mais de uma centena de artigos de divulgação técnica e de grande número de escritos jornalísticos, parte dos quais sob o pseudónimo de “Moçam-Said”.
Mercê da sua acção, durante para cima de vinte anos, estreitamente relacionada com os problemas da mosca tsé-tsé e da fauna bravia, votou ao estudo desta a maior das atenções, preocupando-se sobremaneira com as questões da conservação da Natureza.
O presente trabalho é, em parte, fruto dessa sua dedicação aos problemas da fauna selvagem.”

Este é o Jaime que eu encontrei e que eu recordo!
(Talvez um bocadinho mais velho!)
Deixei, como comentário, essa recordação, um pouco mais detalhada: o Jaime era brilhante na sua capacidade de entender os outros. Era o exemplo da verdadeira tolerância: generosa e inteligente!
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Às vezes, as letras...
...das cantigas dizem o que a gente quer dizer!
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceite as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Coisa de Titãs!!!
Devia ter amado mais, ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceite as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar
Coisa de Titãs!!!
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Directamente de Alvalade
Os leões juntam-se aos parabéns à Azulinha, a quem desejam todas as coisas boas e doces que há no mundo!
(Olha que ontem os leões iam ficando mesmo azuis!)
Pôr do Sol em Alvalade

Eu nunca tinha ido à bola! Ou quase. Fui à inauguração do Estádio da Matola e à inauguração do Alvalade XXI. Percebo pouco, ou nada, do jogo que tanto espaço ocupa nas emoções da minha jaula.
Foi uma ocasião especial, pois cinquenta anos de sócio não se fazem todos os dias e até uma empresa, como é o SCP, sabe que é preciso realçar os afectos dos adeptos, pois sem eles não há o tal vil metal que alimenta a indústria.
Mas isso é outra história!
Vamos ao jogo. Primeiro, eu não percebi sequer que o jogo tinha começado. Devia haver um apito forte para avisar os distraídos como eu, que estava ainda a desembrulhar-me da multidão que me banhava os ouvidos. Ouvidos esses que resistiram, contra a minha previsão.

Achei que jogaram bem os jogadores do Belenenses, os árbitros e o Liedson. O coitado do guarda-redes azul perdeu imenso tempo a verificar que tinha um problema nas botas e até mandou vir umas botas novas para trocar, ali mesmo, na baliza, à frente de toda a gente. Depois houve aquele problema e ouvi dizer que esse guarda-redes foi expulso, mas já não foi por causa das botas. Veio outro vestido de azul, mas deve ter saído um dos que andava sempre colado a um jogador do Sporting, porque um senhor, que estava atrás de mim, explicou ao neto, que comeu gelados o tempo todo, pontapeou as costas da minha cadeira, metade do tempo, fez vrummmmmvrum com um pó-pó, que lhe levaram para o caso da criança não se entusiasmar com o jogo, dizia eu que o avô explicou ao miúdo que se calhar nem contra dez conseguiam "resolver" o jogo.
Quando o tal golo aconteceu, eu já nem acreditava, porque as bolas já tinham entrado várias vezes nas balizas, o público levantava-se e gritava GOOOOOOOOOOOlO e não aparecia o resultado alterado na televisão que estava ali ao pé de mim.
Rodeada que estava de leões e leoas, "Dei o meu máximo", direi eu, como dizem os treinadores e os jogadores...
sábado, 1 de setembro de 2007
Parabéns, Escritor Lobo Antunes! *
Todos os dias, à mesma hora, chega o "presidente da república", como lhe chamam as companheiras de naufrágio. Senta-se na melhor cadeira da sala e espera impaciente, ante a reprovação das senhoras, que "aquilo" dê certo.
(Está-se nas tintas para a reprovação. Quem sabe se não se habitou, ao longo da vida, aos olhares de "tampa" que o vacinaram e o prepararam para esta indiferença, na última etapa, preenchida pelo mal do açúcar que não lhe dá descanso?)
Os olhos vão do relógio para a porta e da porta para o relógio. Um deles está mal. Se o relógio marca a hora certa, a porta está errada, porque está fechada. Se a porta está certa, então é o relógio, que não anda ao ritmo da sua vontade e dos seus açúcares.
As senhoras, sentadas em roda, emolduram todos os dias a mesma impaciência do senhor da diabetes. Todos os dias a mesma impaciência. Todos os dias a mesma hora. Todos os dias as mesmas senhoras e os mesmos olhares cúmplices de uma reprovação inocente e inconsequente. Aqueles passos curtos e rápidos também lhes marcam as horas delas e, mesmo se têm visitas, os ritos mantêm-se. Ele chega. Ele senta-se. Ele não espera. Ele desespera. Ele bate na porta com a ponta da canadiana. Ele olha para o relógio. Ele bate outra vez na porta.
A porta abre-se e uma voz meiga promete-lhe o socorro, o açúcar que lhe está faltar no sangue e na vida.
A glicémia não sobe, mas ele sobe a manga da camisa, preparando-se para a injecção que lhe trará o alívio.
A presença da enfermeira estabelece um ambiente aparentemente não-hostil. As senhoras disfarçam. Não querem ficar mal-vistas aos olhos de quem pode aliviá-las, nos seus achaques. Os olhares dirigem-se para o televisor com um interesse "faz-de-conta".
A enfermeira lê os valores e tranquiliza o senhor, enquanto lhe aplica a insulina.
Deseja-lhe as melhoras e dirige-se ao gabinete. Já não vale a pena fechar a porta. Está na hora de distribuir a medicação. A porta aberta desperta um interesse mais verdadeiro do que o televisor.
A porta marca sempre a fronteira entre a saúde e a doença, entre os mais velhos e os menos velhos, entre qualquer coisa de menos bom e qualquer coisa de talvez bom... Uma porta aberta induz o sonho!
O "presidente da república" já vai longe, ao fundo do corredor, como que a fugir daquela cena em que todos os dias tem de desempenhar o papel principal, o do náufrago affito que ordinariamente se salva, graças a uma simples agulha que não borda nem um sorriso no semblante zangado.
António Lobo Antunes nasceu a 1 de Setembro há sessenta e cinco anos. Há um ano ensaiei uma crónica no dia dos seus anos. Este ano atrevo-me a fazer o mesmo, pelo simples prazer que isso me dá. Quem me dera saber escrever à L.A.!
Parabéns, Escritor!
* Alteração introduzida por sugestão da IO, no comentário. Obrigada, IO.
(Ou estavam a pensar que eu tinha classificado o LA com uma estrela só? Isto é escritor de seis estrelas!)
(Está-se nas tintas para a reprovação. Quem sabe se não se habitou, ao longo da vida, aos olhares de "tampa" que o vacinaram e o prepararam para esta indiferença, na última etapa, preenchida pelo mal do açúcar que não lhe dá descanso?)
Os olhos vão do relógio para a porta e da porta para o relógio. Um deles está mal. Se o relógio marca a hora certa, a porta está errada, porque está fechada. Se a porta está certa, então é o relógio, que não anda ao ritmo da sua vontade e dos seus açúcares.
As senhoras, sentadas em roda, emolduram todos os dias a mesma impaciência do senhor da diabetes. Todos os dias a mesma impaciência. Todos os dias a mesma hora. Todos os dias as mesmas senhoras e os mesmos olhares cúmplices de uma reprovação inocente e inconsequente. Aqueles passos curtos e rápidos também lhes marcam as horas delas e, mesmo se têm visitas, os ritos mantêm-se. Ele chega. Ele senta-se. Ele não espera. Ele desespera. Ele bate na porta com a ponta da canadiana. Ele olha para o relógio. Ele bate outra vez na porta.
A porta abre-se e uma voz meiga promete-lhe o socorro, o açúcar que lhe está faltar no sangue e na vida.
A glicémia não sobe, mas ele sobe a manga da camisa, preparando-se para a injecção que lhe trará o alívio.
A presença da enfermeira estabelece um ambiente aparentemente não-hostil. As senhoras disfarçam. Não querem ficar mal-vistas aos olhos de quem pode aliviá-las, nos seus achaques. Os olhares dirigem-se para o televisor com um interesse "faz-de-conta".
A enfermeira lê os valores e tranquiliza o senhor, enquanto lhe aplica a insulina.
Deseja-lhe as melhoras e dirige-se ao gabinete. Já não vale a pena fechar a porta. Está na hora de distribuir a medicação. A porta aberta desperta um interesse mais verdadeiro do que o televisor.
A porta marca sempre a fronteira entre a saúde e a doença, entre os mais velhos e os menos velhos, entre qualquer coisa de menos bom e qualquer coisa de talvez bom... Uma porta aberta induz o sonho!
O "presidente da república" já vai longe, ao fundo do corredor, como que a fugir daquela cena em que todos os dias tem de desempenhar o papel principal, o do náufrago affito que ordinariamente se salva, graças a uma simples agulha que não borda nem um sorriso no semblante zangado.
António Lobo Antunes nasceu a 1 de Setembro há sessenta e cinco anos. Há um ano ensaiei uma crónica no dia dos seus anos. Este ano atrevo-me a fazer o mesmo, pelo simples prazer que isso me dá. Quem me dera saber escrever à L.A.!
Parabéns, Escritor!
* Alteração introduzida por sugestão da IO, no comentário. Obrigada, IO.
(Ou estavam a pensar que eu tinha classificado o LA com uma estrela só? Isto é escritor de seis estrelas!)
Do Público
Tudo o que eu preciso realmente é de amor, mas um bocadinho de chocolate aqui e ali não também não faz mal.Lucy Van Pelt, personagem criada por Charles M. Schulz para a série Peanuts.

Lucy, eu pensava que tu ias dizer que precisavas realmente era de chocolate, mas que um bocadinho de amor aqui e ali também não te fazia mal.
Isto, claro, pela reacção que tiveste a um beijo:
"Auugh! I've been kissed by a dog! I have dog germs! Get some hot water! Get some disinfectant! Get some iodine!"
Bem sei que um beijo é um beijo e um cão é um cão!!!

Lucy, eu pensava que tu ias dizer que precisavas realmente era de chocolate, mas que um bocadinho de amor aqui e ali também não te fazia mal.
Isto, claro, pela reacção que tiveste a um beijo:
"Auugh! I've been kissed by a dog! I have dog germs! Get some hot water! Get some disinfectant! Get some iodine!"
Bem sei que um beijo é um beijo e um cão é um cão!!!
Setembro
Havia uma cantiga que "dizia" assim: Setembro chegou, vamo-nos separar, o Verão terminou, diremos "au revoir". E continuava com a história de uma Sylvie que ia para Paris e ele ia ficar, infeliz, a chorar, a gritar...
Já nesse tempo o verão terminava em Setembro e tudo o que de bom o verão pode trazer também terminava em Setembro.
Ei-lo!
Por aqui, faz-se anunciar por uma certa brisa fresca.
Já nesse tempo o verão terminava em Setembro e tudo o que de bom o verão pode trazer também terminava em Setembro.
Ei-lo!
Por aqui, faz-se anunciar por uma certa brisa fresca.
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